Indústria em Expansão em Tempo de Desafios
A Perfil Alumínio, a maior empresa do setor de beneficiamento de alumínio no Espírito Santo, está projetando um aumento significativo em sua produção. Para 2025, a companhia espera atingir a marca de 12.500 toneladas, o que representa um crescimento de 25% em comparação com as 10.000 toneladas registradas no ano anterior.
Esse avanço acontece em um cenário caracterizado pela pressão constante nos custos. Na semana passada, o preço do alumínio atingiu seu maior patamar em quatro anos, influenciado por uma combinação de aumento na demanda e instabilidades geopolíticas, especialmente no Irã e no Oriente Médio.
Alexandre Casasco, diretor comercial da Perfil, comenta: “O alumínio está subindo muito. E a perspectiva, se continuar do jeito que está, é subir mais.” A empresa opera com unidades em Vila Velha e Viana, empregando cerca de 600 pessoas e contribuindo para o desenvolvimento econômico local.
Impactos do Conflito no Estreito de Ormuz
Um dos principais fatores que impulsionou essa alta nos preços foi o fechamento do Estreito de Ormuz, um canal estratégico responsável por cerca de 9% da produção global de alumínio. A região abriga seis grandes fundições altamente competitivas, que utilizam gás natural, derivado da extração de petróleo, como fonte de energia. Infelizmente, duas dessas instalações foram danificadas por bombardeios e permanecem inativas há aproximadamente um mês.
Casasco explica que “Com o fechamento do Estreito de Ormuz, a bauxita não entra e o alumínio não sai. O impacto no preço é imediato.” Essa situação ilustra como crises geopolíticas podem afetar diretamente o mercado de commodities.
Demanda Crescente por Alumínio em Setores Modernos
Além das tensões internacionais, a demanda por alumínio continua a crescer, especialmente em setores emergentes. Materiais para estruturas fotovoltaicas, carcaças de baterias, componentes para veículos elétricos, equipamentos de data centers e a indústria aeroespacial são altamente dependentes desse metal e estão dispostos a pagar preços mais altos para garantir seu fornecimento. Casasco comenta: “É uma demanda moderna, que não existia há alguns anos.”
No entanto, no Brasil, esses segmentos ainda não são expressivos em termos de contribuição ao PIB. Contudo, setores mais tradicionais, como a construção civil, podem sentir o impacto da alta nos preços do alumínio.
Impactos na Construção Civil
“Esquadrias, janelas, portas e fachadas de alumínio representam o terceiro ou quarto maior custo de insumo em uma obra de construção civil, que é um segmento crucial para a receita da Perfil. Devido à alta do metal, esses produtos tiveram seus preços reajustados”, completa o diretor da Perfil.
O crescimento projetado para 2025 é um reflexo direto de um ciclo de expansão recente. A Perfil não apenas concluiu uma ampliação significativa que mais que dobrou a capacidade produtiva de sua fábrica em Viana, mas também investiu mais de R$ 100 milhões nesse processo. Com uma clientela que se estende por todo o Brasil, a empresa espera encerrar o ano com um crescimento considerável de 25% na produção.
