Crescimento e Inovação no agronegócio capixaba
O agronegócio tornou-se um verdadeiro oásis em meio ao lento crescimento da economia brasileira. Essa realidade se deve, em grande parte, aos avanços na produção e à adoção de tecnologias, além de um intenso processo de inovação que tem elevado a produtividade do setor. Não é à toa que o Espírito Santo se destaca como um exemplo mundial em eficiência e se consolidou como um grande fornecedor de alimentos globalmente.
No Espírito Santo, a agropecuária tem seguido essa tendência, apresentando características próprias. O valor agregado dentro das propriedades rurais quase dobrou entre 2002 e 2023, passando de 3,5% para 6%. Em termos de crescimento, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) do estado cresceu 1.093% em termos nominais, a agropecuária teve um aumento ainda mais significativo, com variações de 142% em valores reais, ajustados pelo Deflator Implícito do Produto (DIP).
Destaques nas Cadeias Produtivas
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Entre as diversas cadeias produtivas que se destacam, a do café merece atenção especial. Mais precisamente, a produção dos cafés, que inclui tanto o arábica quanto o conilon. Embora o primeiro represente apenas 23% da produção, ambos os tipos vêm registrando crescimento, principalmente em termos de produtividade, que se torna um diferencial no mercado.
Em comparação, a produtividade média do arábica no Espírito Santo alcançou 32 sacas por hectare, superando a média mundial de 14 sacas e até mesmo a da Colômbia, que é de 16 sacas. No que diz respeito ao conilon, o estado se destaca com uma produção média de 55 sacas, que é o dobro da média mundial, que é de 25 sacas, e equipara-se ao maior concorrente, o Vietnã, também com 55 sacas.
Inovações e Conectividade
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Um ponto crucial a se ressaltar é que, ao longo da cadeia de valor, os cafés capixabas têm experimentado avanços significativos em todos os níveis: antes, durante e depois da porteira. Antes da porteira, houve um investimento em pesquisa aplicada e na qualificação de insumos e serviços especializados. Dentro da porteira, as inovações e a adoção de novas tecnologias, incluindo soluções digitais, melhoraram a eficiência no manejo e na gestão das propriedades.
Após a porteira, o papel das cooperativas, como a Cooabriel e a Nater Coop, se destaca como um facilitador, garantindo escala e conexões com os mercados. A comercialização também se tornou mais conectada e próxima entre produtores e consumidores, promovendo um ambiente de maior colaboração.
O Papel da Agroindústria
Entretanto, é na agroindústria que se encontra o verdadeiro potencial para o crescimento, com o surgimento de novas plantas de produção de café solúvel. Este movimento se reflete também na produção de arábica, que tem passado por um processo de “descomoditização”, com o aumento de mini torrefadoras e surgimento de novas marcas no mercado.
Esse fenômeno é conhecido como adensamento e diversificação das cadeias produtivas. Trata-se de um processo no qual elos que antes eram considerados faltantes na cadeia são progressivamente preenchidos, gerando novas riquezas, valor agregado e maior complexidade econômica.
Portanto, seguir essa fórmula é essencial para impulsionar ainda mais o agronegócio capixaba. Essa estratégia está alinhada ao PEDEAG 4 – Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura, que visa fomentar o crescimento do setor e garantir seu papel de destaque na economia estadual e nacional.
