Mercado financeiro reage ao resultado eleitoral
A vitória de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno da eleição presidencial, realizada no domingo 4, provocou uma forte reação na Bolsa de Valores, especialmente em setores que dependem do crédito para operar. Nesta segunda-feira 5, as ações das varejistas apresentam altas expressivas, refletindo a redução nas expectativas para os juros futuros e a confiança do mercado em um possível ajuste fiscal mais rigoroso.
Por volta das 14h20, as ações ordinárias do Magazine Luiza (MGLU3) lideravam a valorização do dia, com alta de 26,41%, cotadas a 9,62 reais cada. Outras varejistas também se destacaram: as ordinárias da C&A (CEAB3) subiram 22,33%, alcançando 12,60 reais, enquanto Lojas Renner (LREN3) e Assaí (ASAI3) registraram ganhos de 19,39% e 18,30%, respectivamente. A valorização do Magazine Luiza tem uma certa ironia, já que apoiadores de Flávio Bolsonaro costumam desconfiar da empresária Luiza Trajano. Em julho de 2022, o então presidente Jair Bolsonaro afirmou em reunião ministerial que Trajano seria “a única empresária de esquerda” no país e que sua rede de varejo dependeria de ajuda estatal para sobreviver.
Setor financeiro também impulsiona alta da Bolsa
O segmento financeiro acompanhou o movimento positivo, com as units do BTG Pactual (BPAC11) subindo 24,95%, cotadas a 82,49 reais, ocupando a segunda posição entre as maiores altas do pregão. A B3, dona da Bolsa brasileira, registrou valorização de 24,79% nas ações ordinárias (B3SA3). O Bradesco também teve bom desempenho, com as ações ordinárias (BBDC3) subindo 15,63% e as preferenciais (BBDC4) avançando 14,51%.
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O índice Ibovespa refletiu esse otimismo, avançando mais de 8% e ultrapassando a marca de 208 mil pontos. A predominância dos setores mais sensíveis às taxas de juros entre as maiores altas evidencia a confiança do mercado na liderança de Flávio Bolsonaro e sua capacidade de implementar ajustes nas contas públicas.
Expectativa de ajuste fiscal impulsiona confiança
O mercado avalia que Flávio Bolsonaro reúne condições para promover um forte ajuste fiscal, capaz de controlar e reverter a trajetória de crescimento da dívida pública, que passou de 72% para 83% do Produto Interno Bruto (PIB) durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição. Durante a campanha, Flávio prometeu um “tesouraço” nas contas públicas, inspirado nas medidas do presidente argentino Javier Milei.
Por outro lado, Lula ainda não assumiu compromisso firme com ajustes fiscais. Seu coordenador de campanha, Sérgio Gabrielli, classificou o déficit nas contas como “fake news”, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, enfrenta dificuldades para convencer investidores sobre um eventual controle dos gastos em um possível quarto mandato. A desconfiança do mercado se reflete na exigência de prêmios de risco mais altos para financiar o aumento dos gastos públicos.
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Impactos práticos para o consumo e crédito
O aumento dos gastos públicos pressiona a inflação, já que o governo não estimula investimentos empresariais para elevar a produtividade. Isso obriga o Banco Central a manter a taxa Selic em níveis contracionistas, atualmente em 13,75% ao ano. Com a possibilidade de Flávio Bolsonaro assumir a Presidência nos próximos quatro anos, o mercado vê o ajuste fiscal mais próximo, o que se traduz em quedas significativas na curva de juros futuros.
Como os setores de varejo dependem de crédito com juros mais baixos para capital de giro e financiamento aos consumidores, a redução das taxas tende a estimular o consumo e alavancar os negócios do setor. Essa dinâmica explica a valorização expressiva das ações das varejistas observada nesta segunda-feira.
