Tradição e cultura nas águas da Ilha das Caieiras
Vitória, capital do Espírito Santo, celebra 475 anos nesta terça-feira (8). Com uma população estimada em mais de 340 mil habitantes para 2026, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade carrega uma história rica e multifacetada. Suas paisagens e personagens únicos compõem uma identidade construída ao longo de quase cinco séculos.
Entre mangues e ritmos, a capital capixaba ganha vida pelas mãos de seus moradores, protagonistas desta trajetória cultural. Simone Leal é um exemplo claro dessa conexão. Ela chegou à Ilha das Caieiras aos 8 anos e, desde então, aprendeu a desfiar siri e descascar camarão — habilidades que a inseriram no universo da culinária local.
Com mais de 30 anos dedicados à atividade de marisqueira, Simone acredita que seu trabalho transcende a simples alimentação. Para ela, a atividade é um elo entre gerações e compõe o dia a dia da comunidade da Ilha das Caieiras.
“Sinto-me honrada. É gratificante fazer parte de uma comunidade onde a torta capixaba, a moqueca capixaba, a desfiadeira de siri e o pescador são símbolos da nossa cultura. Aqui, me sinto uma rainha”, compartilha Simone.
O preparo dos frutos do mar também é embalado por canções. Simone costuma cantar enquanto trabalha, exaltando a beleza e a riqueza do manguezal: “A ilha tem, eu vou mostrar: nossa beleza vem do mar. A ilha tem, eu vou mostrar: nossa riqueza é o manguezal”.
Samba, carnaval e a força da juventude nas ruas de Vitória
A cultura musical e as festas tradicionais também ganham destaque na capital. O samba e o carnaval, que animam os bloquinhos em fevereiro, envolvem a juventude local o ano todo. Laysa Galter, musa do carnaval, descobriu sua paixão ainda criança, influenciada pelo pai que cobria o evento fotograficamente.
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Aos 8 anos, ela participou de uma feijoada na Unidos de Jucutuquara, escola de samba de Vitória, e desde então se dedica a essa manifestação cultural.
Hoje com 20 anos, Laysa destaca o impacto do bairro onde mora e da escola de samba na construção de sua personalidade e valores.
“Conhecemos as necessidades e o carinho da comunidade. No samba, existe um forte senso de união: fazer tudo junto. Foi nesse ambiente que formei meus ideais e minha ética”, afirma.
Para ela, a cultura é um mosaico de vozes e tradições que atravessam gerações.
“Perpetuar a cultura é incrível. Muitas pessoas da minha escola não são família de sangue, mas são minha família de Carnaval. É emocionante ver o orgulho que têm de mim ao levar a escola para a avenida”, completa.
Slam e poesia: voz da periferia na cena cultural de Vitória
Além do samba, o slam tem ganhado espaço como expressão artística que nasce na periferia. Em Vitória, jovens utilizam a poesia para reafirmar sua identidade e abordar temas sociais.
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Bartô Dias, poeta do bairro Romão, atribui sua formação poética à cultura capixaba. Seu primeiro contato com o slam foi em um sarau no morro de Caratoíra, e desde então ele se dedica a escrever e declamar poemas que dialogam com críticas sociais, cultura e a cidade de Vitória.
Culinária e identidade: o restaurante que celebra a cultura local
O orgulho capixaba também se manifesta na gastronomia, com destaque para a moqueca, a torta capixaba e frutos do mar. Clemar Vieira, conhecido como Seu Bigode, é uma figura emblemática de Vitória e referência na culinária local.
Donos do Restaurante do Bigode, ele tem uma ligação profunda com o bairro Jesus de Nazareth, onde sua família ajudou a construir a comunidade.
Desde os 10 anos, Clemar trabalhou para ajudar a família, tornou-se pescador e passou longos períodos longe de casa. Atendendo ao pedido da esposa para ficar mais próximo, abriu o restaurante que hoje é um fenômeno nas redes sociais, com mais de 80 mil seguidores.
Entre pratos e paisagens, Seu Bigode compartilha a cultura capixaba por meio da gastronomia. A moqueca capixaba, carro-chefe do restaurante, é mais que uma receita: é uma tradição que mantém viva a história de Vitória.
Vitória: uma cidade feita por suas histórias e tradições
Ao celebrar 475 anos, Vitória revela sua essência não apenas pelas suas paisagens ou pela longa história, mas especialmente pelas pessoas que mantêm seus costumes vivos. Do mangue ao samba, do slam à moqueca, essas narrativas compõem o retrato de uma capital que pulsa cultura e identidade a cada esquina.
