Expansão científica e tecnológica no Espírito Santo
O Espírito Santo busca se consolidar como um polo de ciência, tecnologia e inovação, a partir de uma meta ousada: transformar-se em uma espécie de “Israel brasileira”, referência mundial em inovação tecnológica. Carlos Sena, diretor de Inovação e Sustentabilidade do Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico (CDMEC), defende essa visão que vai além da política e foca na capacidade de transformar conhecimento em soluções práticas e negócios sustentáveis.
Segundo Sena, o objetivo é criar um “oásis tecnológico” que leve as pesquisas para o mercado, impulsione novas frentes econômicas e retenha talentos locais com oportunidades de trabalho bem remuneradas. Atualmente, o Espírito Santo conta com apenas um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), mas há seis grupos de pesquisa com potencial para se juntarem a esse seleto grupo.
Parcerias estratégicas e potencial do ecossistema local
O CDMEC mantém diálogo constante com instituições como Ufes, Ifes e UVV, buscando aproximar pesquisadores de órgãos financiadores de inovação. Sena destaca que o Espírito Santo já possui talentos e projetos relevantes, como caminhões autônomos para fábricas, próteses para reabilitação, uma torre eólica que reduz em até 90% o tamanho das fundações e uma tecnologia a laser para recriar instalações industriais em 3D mesmo sem plantas atualizadas.
O diretor também conta que o CDMEC lançou o podcast Energize-se para divulgar iniciativas locais de inovação e transição energética. Foi surpreendente descobrir pesquisadores de renome mundial ainda pouco conhecidos no Estado. A Metalvix, por exemplo, patenteou sua torre eólica no Brasil, EUA e Europa e está na fase final para testes em aerogeradores de quatro megawatts, buscando parceiros para validar a tecnologia em escala real.
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Desafios para acesso a recursos e integração entre indústria e academia
Um dos maiores obstáculos apontados por Sena é o acesso aos recursos financeiros para projetos inovadores. O CDMEC já conversa com a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), Fundo Soberano e pretende buscar apoio da Embrapii e Finep para garantir investimentos. O centro atua como uma ponte entre as empresas, universidades e órgãos de fomento, facilitando o desenvolvimento de projetos que atendam a demandas reais.
Além do setor metalmecânico, o Espírito Santo abriga empresas como PicPay e Wine, destacadas na área de software, e possui tecnologias locais, como o levantamento 3D por laser de instalações industriais antigas. Sena reforça a importância de conectar pesquisa e indústria para solucionar problemas concretos, evitando a pesquisa pela pesquisa e focando em produtos que possam gerar impacto econômico e social.
ESSolar e a transformação no setor de energia renovável
Carlos Sena também é sócio-fundador da ESSolar, empresa criada em 2017 para atuar na geração distribuída de energia. A pandemia provocou uma mudança de rota, e a empresa passou a focar em soluções renováveis para clientes diversos, incluindo sistemas de armazenamento por baterias para residências, propriedades rurais e indústrias.
Ele destaca que o armazenamento de energia é um desafio tão relevante quanto a ampliação da geração, pois o setor elétrico brasileiro enfrenta dificuldades para equilibrar geração, transmissão e consumo. Ao espalhar polos de baterias pela rede, é possível tornar as regiões mais autossuficientes, reservando as grandes interligações para emergências.
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Inovações capixabas e reaproveitamento sustentável
Entre as curiosidades reveladas por Sena, está o uso do pó do granito Preto São Gabriel, exportado para Israel, que serve para fabricar pastilhas que armazenam calor, funcionando como baterias térmicas com alta eficiência.
Ele também chamou a atenção para o potencial do descomissionamento de plataformas de petróleo, que armazenam materiais valiosos como aço, cobre, ouro e titânio. Esses elementos podem ser reaproveitados como matéria-prima pela indústria nacional, evitando a exportação como sucata.
Perfil de Carlos Sena
Engenheiro eletricista formado pelo Cefet-MG, com mestrado em Controle e Automação pela Ufes e MBA Executivo em Finanças pelo Ibmec-BH, Sena acumula mais de 26 anos no setor elétrico, com passagens por empresas como Fiat, Escelsa/EDP e Eneva. Atualmente, atua como sócio-diretor e CEO da ESSolar e diretor de Inovação e Energia do CDMEC.
