Transformação econômica e descentralização no Espírito Santo
A economia capixaba está em meio a uma mudança significativa, deixando para trás o ciclo da grande indústria para iniciar um novo padrão de desenvolvimento. Esse novo ciclo, ainda influenciado pelo anterior, tende a tornar a economia do Estado menos concentrada territorialmente, mais diversificada e verticalizada. Os primeiros sinais dessa transformação já são visíveis e sustentados por dados que confirmam a mudança em curso.
Historicamente, o ciclo da grande indústria concentrou as atividades econômicas na Região Metropolitana do Espírito Santo. Entre as décadas de 1960 e 1970, a participação da indústria no PIB estadual saltou de aproximadamente 6% para 17%, enquanto a Região Metropolitana passou a representar cerca de 55% do PIB estadual, mesmo abrigando apenas 26% da população do Estado, cuja taxa de urbanização era de 45% na época.
Expansão populacional e concentração econômica
O crescimento populacional na Região Metropolitana foi expressivo nesse período: entre 1960 e 1970, a população local aumentou 92%. Municípios como Cariacica e Vila Velha cresceram 152% e 122%, respectivamente. Esse movimento foi impulsionado pelo êxodo rural, consequência da erradicação dos cafezais, que levou muitas pessoas a se mudarem para áreas urbanas. Para se ter ideia, Serra, que em 1960 tinha apenas 9.192 habitantes, hoje ultrapassa os 500 mil.
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Fonte: gpsbrasilia.com.br
Nos últimos 55 anos, a concentração econômica na Região Metropolitana se manteve em torno de 55% do PIB estadual, chegando a picos de 64%, como em 2004. Desde então, observa-se uma gradual desconcentração, com a participação do polo metropolitano no PIB industrial caindo para cerca de 47% nos anos recentes. Essa mudança indica que a economia capixaba começa a se expandir para outras regiões do Estado.
Novos polos e investimentos que movimentam a economia
Essa expansão ocorre principalmente em municípios litorâneos ao longo da BR-101, especialmente ao norte do Estado, com destaque para a microrregião do Rio Doce, que inclui Linhares e Aracruz. A região se fortalece com grandes investimentos, como os previstos para o ParkLog Norte, com mais de R$ 14 bilhões em aportes, e a GWM, que anunciou R$ 5,8 bilhões para sua nova unidade automotiva.
O crescimento econômico tende a atrair mão de obra qualificada, o que deve impulsionar um ciclo acelerado de valorização territorial, aumento da produção e crescimento populacional nesse corredor de desenvolvimento. Assim, a área formada pela porção norte da Serra, Aracruz e Linhares pode se firmar como o novo polo de desenvolvimento econômico do Espírito Santo.
Desafios e possibilidades para um crescimento equilibrado
O grande desafio agora é garantir que esse novo ciclo de desenvolvimento seja mais equilibrado do que o anterior, que se baseou em grandes empreendimentos com alta concentração espacial. A diversificação atual, que envolve logística, indústria de transformação, petróleo e gás, energia, celulose, mineração, tecnologia, mobilidade e economia verde, cria mais encadeamentos produtivos, fortalece fornecedores, estimula inovação e amplia a distribuição de renda e emprego pelo Estado.
Se acompanhada por investimentos em infraestrutura, qualificação profissional e planejamento urbano, essa nova etapa pode impulsionar um crescimento mais vigoroso, sustentável e com melhor distribuição regional no Espírito Santo, beneficiando tanto a economia quanto a população capixaba.
