Confronto público expõe desafios na Educação Especial em Vila Velha
Durante o evento Ação pela Cidadania, realizado na Grande Terra Vermelha, a pedagoga Carine Souza enfrentou o prefeito Arnaldinho Borgo (PSDB) após ser desligada do cargo. A rescisão do contrato ocorreu depois que Carine denunciou a insuficiência de profissionais para atender estudantes da Educação Especial em uma escola municipal de Vila Velha. A discussão se deu na presença do governador Ricardo Ferraço (MDB) e do ex-governador Renato Casagrande (PSB), pré-candidato ao Senado, em meio a manifestações organizadas pelo movimento SOS Autismo ES e pela Associação dos Profissionais da Educação de Vila Velha (APEVV).
Denúncias e respostas no centro do debate
Carine buscava relatar a situação ao prefeito e ao ex-governador Renato Casagrande quando foi interrompida por Arnaldinho, que afirmou que sua demissão se deu por “falta de ética profissional”, alegando que as informações divulgadas por ela não correspondiam à realidade da escola. O prefeito declarou que a equipe responsável constatou que as denúncias não eram verdadeiras. A pedagoga, porém, rebateu a acusação: “Governador, isso é uma mentira deslavada que o prefeito está falando. Eu nunca iria falar com o senhor se eu não tivesse prova do que estou falando.”
Documentos comprovam falta de assistentes em escola municipal
Carine Souza afirmou possuir documentos, escalas de trabalho e registros que evidenciam a insuficiência de profissionais para atendimento dos estudantes da Educação Especial. Antes de tornar o caso público, ela tentou resolver a situação por vias administrativas, comunicando a direção da escola e participando de reuniões pedagógicas, além de acionar o Núcleo de Educação Especial do município. Segundo ela, o número crescente de alunos demandava mais assistentes para garantir atendimento adequado.
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Relatos preocupantes de famílias e profissionais
A pedagoga relatou que famílias da comunidade escolar procuravam a unidade para informar que os estudantes da Educação Especial chegavam em casa sujos ou com suas necessidades fisiológicas nas roupas, o que gerou indignação. Em um momento de desespero, Carine buscou ajuda no Núcleo de Educação Especial, clamando por mudanças urgentes. Ela descreveu que a escola contava com apenas oito assistentes para mais de 50 alunos, sendo que cinco desses profissionais acompanhavam integralmente estudantes com maior comprometimento, deixando apenas três para os demais.
Vídeo nas redes sociais e rescisão contratual
Diante da falta de respostas, Carine gravou um vídeo denunciando a situação e compartilhando nas redes sociais, alertando a comunidade escolar e pedindo apoio da população. “Vamos parar de maquiar a educação, porque não está legal”, afirmou. No dia seguinte à publicação do vídeo, seu contrato foi rescindido. Ela contou que, após ser chamada para uma reunião com a diretoria, foi informada da rescisão logo após uma ligação telefônica, sem qualquer conversa prévia sobre o assunto.
Prefeito afirma ter investigado denúncias
No evento, Arnaldinho Borgo afirmou que a gestão buscou apurar as denúncias feitas pela pedagoga, com a Secretaria de Educação verificando a situação. O prefeito disse ter se surpreendido com o vídeo gravado dentro da escola e garantiu que, se fosse constatado algo errado, a equipe iria corrigir. Contudo, Carine contestou essa versão, afirmando que não houve qualquer diálogo antes da rescisão e que possui um áudio da diretora informando sobre sua demissão.
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Fonte: reportersorocaba.com.br
Pressão e protestos da comunidade escolar
Além do confronto com a pedagoga, o prefeito foi chamado de “mentiroso” pelo professor Vinícius Machado, dirigente da Associação dos Profissionais da Educação de Vila Velha (APEVV), durante o evento. Em julho, um grupo de mães, pais e profissionais da educação protagonizou um protesto com “cortejo fúnebre”, denunciando a “morte da educação pública inclusiva” no município. Na ocasião, questionavam a relação entre o número de estudantes da Educação Especial, cerca de 4,9 mil, e o número de professores contratados, cerca de 980, considerado insuficiente para a demanda.
Medidas judiciais e encaminhamentos futuros
Carine afirmou que a situação não foi resolvida até o momento e que já tomou medidas judiciais. Além disso, pretende acionar o Ministério Público Estadual (MPES) para investigar o caso. “Tudo está sendo preparado para quem é de direito”, concluiu a pedagoga, indicando que novas ações podem ocorrer para garantir os direitos dos estudantes da Educação Especial em Vila Velha.
