Pecuária lidera crescimento e agricultura avança
O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro apresentou um crescimento expressivo de 12,2% em 2025, alcançando a marca de R$ 3,2 trilhões. Com isso, o setor ampliou sua participação na economia nacional para 25,13%, conforme levantamento realizado pelo Cepea/USP em parceria com a CNA.
Embora o resultado anual seja positivo, o setor enfrentou uma desaceleração no quarto trimestre, registrando um recuo de 1,11% em relação ao trimestre anterior. Esse movimento já era esperado, levando em conta a forte valorização dos preços que ocorreu ao longo de 2024 e no início de 2025.
Desempenho histórico da pecuária
O grande destaque do ano foi, sem dúvida, a pecuária, que apresentou um crescimento notável de 32,55%. Esse desempenho foi impulsionado tanto pelo aumento da produção quanto pela valorização dos preços das proteínas. Entre os principais fatores que contribuíram para esse crescimento estão:
- Expansão na produção de carnes, leite e ovos;
- Alta demanda no mercado internacional, com recordes nas exportações;
- Valorização de proteínas, incluindo carne bovina, suína e de frango.
A bovinocultura de corte, em particular, se destacou com um aumento superior a 23% no valor bruto da produção, em um ano marcado por exportações recordes e uma maior estabilidade nos preços.
A agricultura avança, mas enfrenta desafios
O setor agrícola também teve um desempenho positivo, com um crescimento de 3,4% no PIB. Contudo, esse resultado foi limitado pela queda média dos preços de diversas commodities ao longo do ano. Apesar das dificuldades, a produção agrícola mostrou um avanço consistente, com forte destaque para produtos como:
- Milho;
- Soja;
- Café;
- Algodão.
Esse aumento na produção ajudou a compensar, em parte, a retração dos preços, garantindo um resultado positivo no acumulado de 2025.
Cenário raro: produção e preços em alta simultaneamente
Um dos aspectos mais notáveis do ano foi a combinação rara de aumento de produção e elevação de preços no agronegócio. No total, o volume de produção cresceu 6,76% em 2025, indicando que a expansão foi não apenas inflacionária, mas verdadeiramente produtiva. Historicamente, anos com forte produção costumam levar a uma pressão negativa sobre os preços, algo que não ocorreu neste ciclo.
Crescimento diversificado entre os segmentos do agro
O crescimento do agronegócio em 2025 foi abrangente, com resultados positivos em diferentes segmentos:
- Insumos: Alta de 5,37%, impulsionada principalmente por fertilizantes, defensivos e máquinas agrícolas, embora tenha havido uma queda nos insumos pecuários, especialmente rações;
- Segmento primário: Expansão de 17,06%, com a agricultura crescendo devido a uma produção maior e a pecuária se beneficiando de preços e volume;
- Agroindústria: Crescimento de 5,60%, com destaque para a indústria ligada à pecuária, que avançou 36,54%, enquanto a agroindústria agrícola apresentou queda;
- Agrosserviços: Alta de 13,76%, com ênfase nos serviços conectados à cadeia pecuária.
Quarto trimestre indica perda de ritmo
No último trimestre de 2025, todos os segmentos do agronegócio enfrentaram uma retração, evidenciando uma perda de força na valorização dos preços e ajustes naturais após um crescimento robusto anterior. O ramo agrícola registrou uma queda de 2,43%, enquanto a pecuária manteve um crescimento de 1,81% no período.
Participação do agronegócio na economia brasileira
Com os resultados de 2025, o agronegócio ampliou sua participação no PIB do Brasil, passando de 22,9% em 2024 para 25,13% em 2025. Isso reafirma a importância do setor como um dos principais motores da economia nacional.
Perspectivas e desafios futuros
Apesar dos resultados impressionantes, o setor enfrenta diversos desafios importantes, incluindo a dependência de preços internacionais, custos de produção elevados, a volatilidade climática e a forte dependência de insumos importados. Por outro lado, o avanço tecnológico, o aumento da produção e a crescente demanda global por alimentos devem continuar a sustentar o papel de destaque do agronegócio brasileiro no cenário econômico.
