Ricardo Ferraço: A Ascensão de um Politico Capixaba
Ricardo Ferraço (MDB) é o novo governador do Espírito Santo, ocupando agora a posição de 49º chefe do Legislativo capixaba desde a era republicana. Sua trajetória política ganhou um novo capítulo com a renúncia de Renato Casagrande (PSB). Aos 62 anos, Ferraço, que já se destacou como uma figura relevante na política do estado, traz consigo uma vasta experiência adquirida ao longo de anos de serviço público.
A carreira política de Ferraço começou ainda na década de 1980, quando foi eleito vereador de Cachoeiro de Itapemirim aos 19 anos pelo então Partido Democrático Social (PDS). Ao longo de sua trajetória, passou pela Câmara dos Deputados e, em 2011, conquistou uma vaga no Senado Federal com um expressivo número de votos: 1.557.409.
Legado na Assembleia Legislativa
Um dos momentos marcantes da carreira de Ferraço foi sua presidência na Assembleia Legislativa (Ales). Durante seu mandato, ele liderou a retomada das obras do prédio da Ales, que estavam paralisadas há seis anos devido a irregularidades e problemas contratuais. A gestão de Ferraço foi essencial para renegociar o projeto e dar continuidade à construção, que havia sido um tema constante nas notícias locais.
João Gualberto, cientista político e historiador, explicou que a época era de dificuldades financeiras para o estado. “Ricardo recebeu a dura missão de ajustar uma obra que custava mais do que o estado poderia arcar. Ele refez orçamentos e passou por um intenso processo de reestruturação”, conta Gualberto.
Desafios financeiros também foram uma constante durante sua presidência, levando à criação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para investigar as dívidas públicas, como a do Banestes, em 1996.
Iniciativas na Grande Vitória
Outro ponto importante na carreira de Ferraço foi sua contribuição para a criação da Região Metropolitana da Grande Vitória em 1995. Ele foi fundamental na articulação e aprovação da lei que estabeleceu a integração e o planejamento dos serviços públicos entre os municípios de Vitória, Vila Velha, Cariacica, Serra e Viana.
A legislação possibilitou avanços significativos, como a consolidação do Transcol, um sistema de transporte metropolitano que começou a ser desenvolvido no final da década de 1980. Na Ales, Ferraço também buscou a modernização institucional e um maior equilíbrio entre os Poderes, mesmo em meio a tensões políticas com o governo estadual da época.
Contribuições na Câmara dos Deputados
Com a crise financeira do Espírito Santo se intensificando no final da década de 1990, Ferraço se aproximou do governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso e foi eleito para a Câmara dos Deputados. Em Brasília, ele focou na articulação de recursos federais para o estado, priorizando áreas como infraestrutura e desenvolvimento econômico.
Outro aspecto relevante foi seu trabalho em favor da Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), buscando trazer benefícios para o sul do Espírito Santo. “Ele teve um mandato forte, com ênfase na economia do café e no setor agrícola, o que mais tarde o levou a se tornar secretário de Agricultura”, comenta Gualberto.
Desafios à Frente do Governo
Após atuar como vice-governador no segundo mandato de Paulo Hartung (PSD), Ferraço foi muito além, garantindo seu lugar no Senado e se tornando relator da Reforma Trabalhista durante o governo Michel Temer. Essa experiência, segundo Gualberto, foi um marco em sua carreira, uma vez que a reforma buscava aliviar a carga sobre pequenos empreendedores.
Agora, como governador do Espírito Santo por um mandato de oito meses, ele enfrenta o desafio de manter a estabilidade fiscal alcançada pelo estado. “É uma responsabilidade imensa, especialmente considerando a necessidade de dar continuidade a uma gestão que vinha respondendo bem. Manter tudo em funcionamento será um grande teste para ele”, conclui Gualberto, destacando a importância das entregas que Ferraço precisará realizar nos próximos meses.
