Deputados Estaduais Mudam de Legenda antes das Eleições
Com menos de uma semana para o encerramento da janela partidária, que se fecha em 3 de abril, nove deputados do Espírito Santo decidiram mudar de legenda. Este movimento é estratégico, visando as eleições de 2026. Entre eles, seis deputados estaduais aderiram a novas siglas, aproveitando a oportunidade de mudança sem a ameaça de perda do mandato.
Um dos destaques é Sérgio Meneguelli, que, após ser eleito pelo Republicanos, optou por se filiar ao Partido Social Democrático (PSD). A decisão, segundo fontes envolvidas, almeja uma candidatura ao Senado. A filiação ocorreu em um evento em São Paulo no dia 6 de março, com a presença do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Meneguelli, que já acenava para essa movimentação desde 2022, viu sua antiga legenda optar por outro candidato ao Senado, discutindo o apoio a Erick Musso, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo.
Trocas no PSDB e Novas Filiações
Na sequência das mudanças, Vandinho Leite e Mazinho dos Anjos abandonaram o PSDB e se juntaram ao MDB, após uma crise interna que culminou na nomeação de Arnaldinho Borgo como novo presidente da legenda em dezembro de 2025. Vandinho, que já foi presidente do PSDB no estado, atua atualmente como líder do governo na Assembleia Legislativa, enquanto Mazinho preside a Comissão de Finanças. Ambos deputados confirmaram suas candidaturas à reeleição.
Outras mudanças notáveis incluem Adilson Espíndula, que deixou o PSD para se filiar ao Progressistas (PP), e Fabrício Gandini, que trocou o PSD pelo Podemos. Marcos Madureira também fez parte desse movimento, migrando do PP para o Mobiliza. A reportagem de A Gazeta tentará coletar mais informações sobre as estratégias dessas mudanças e se os deputados têm planos específicos para as próximas eleições. Espíndula, por exemplo, já confirmou sua intenção de buscar a reeleição e a redação aguarda alguma atualização dos demais parlamentares.
Deputados Federais e a Janela Partidária
No âmbito federal, Amaro Neto é um dos principais nomes a aproveitar a janela partidária, mudando para seu terceiro partido desde que foi eleito em 2018, agora se filiando ao PP. Messias Donato, que foi eleito pelo Republicanos em 2022, também fará a transição para o União Brasil. Por sua vez, Victor Linhalis, um dos principais representantes do Podemos no estado, trocou de partido para se filiar ao PSDB, visando uma formação de chapa com Arnaldinho Borgo.
O Que é a Janela Partidária?
A janela partidária é um período de flexibilização que permite que os políticos mudem de partido sem perder o mandato. Para as eleições de 2026, essa janela começou sete meses antes da votação marcada para 4 de outubro. A regra é exclusiva para deputados federais, estaduais e distritais que estão em fim de mandato, excluindo vereadores que ainda têm tempo de mandato. Governadores, senadores e presidentes têm liberdade para trocar de partido independente da janela.
Conforme a legislação eleitoral, as vagas pertencem aos partidos e não aos candidatos. Assim, mudar fora do prazo estipulado pode ser considerado uma infidelidade, resultando na perda do mandato. A janela partidária, portanto, atua como uma salvaguarda legal para esse tipo de transição.
Rodrigo Fardin, advogado especializado em direito eleitoral, explicou que esse período é crucial para a configuração do cenário político antes das eleições. Segundo ele, é uma oportunidade para os partidos articularem chapas de forma segura e dá aos candidatos a liberdade de buscar novos projetos sem o temor de represálias por mudanças de legenda. “A janela oferece garantias jurídicas e não exige justificativas adicionais, desde que respeitado o prazo legal”, completou o advogado.
