Desafios Geopolíticos e Políticas Ambientais em Debate
A COP-15, realizada em Campo Grande (MS), ocorre em um cenário de tensões geopolíticas intensas. Durante seu discurso no segmento presidencial da conferência, Lula destacou a realidade alarmante: “Ações unilaterais, atentados à soberania e execuções sumárias estão se tornando a regra”. O presidente brasileiro criticou a atuação do Conselho de Segurança da ONU, que, segundo ele, demonstrou omissão em resolver conflitos internacionais. Lula mencionou que, apesar do papel histórico da ONU em processos significativos, como a proibição de armas químicas e biológicas e a afirmação dos direitos humanos, o Conselho muitas vezes falha em agir eficazmente.
Lula enfatizou que “um mundo sem regras é um mundo inseguro, onde qualquer um pode ser a próxima vítima”. Ele propôs a implementação de políticas de acolhimento e um multilateralismo mais robusto, em oposição a muros e discursos de ódio. A referência ao muro que o ex-presidente Donald Trump desejava construir na fronteira dos Estados Unidos com o México, assim como o recente início da construção de uma barreira pelo Chile na fronteira com o Peru, serviu como um alerta sobre a crescente tendência de isolamento.
Alianças Regionais e Compromissos Ambientais
Antes de Lula, discursaram outros líderes da região, como o presidente do Paraguai, Santiago Peña, e o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, Fernando Carrasco. Os três líderes se reuniram para discutir questões ambientais, ressaltando o Memorando de Preservação de Aves Migratórias que Brasil, Paraguai, Bolívia, Argentina e Uruguai mantêm há quase 20 anos, que protege 11 espécies.
Durante o evento, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, também fez uma fala impactante, enquanto outros ministros, como Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Simone Tebet (Planejamento), participaram ativamente. Vale destacar que Tebet, com forte base eleitoral em Mato Grosso do Sul, anunciou sua intenção de concorrer ao Senado por São Paulo pelo PSB. Essa movimentação política ocorre em um contexto de crescente competitividade nas eleições presidenciais, com Lula enfrentando o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, em uma disputa acirrada.
Reconstrução da Imagem Internacional do Brasil
Lula não poupou críticas à gestão ambiental de seu antecessor, ressaltando que a administração de Bolsonaro prejudicou a imagem do Brasil no cenário internacional. “Até pouco tempo, a imagem internacional do Brasil na área ambiental enfrentava questionamentos profundos, impactando diretamente nossas relações econômicas e comerciais”, afirmou o presidente, que desde 2023 busca reverter essa situação com ações efetivas.
Entre os resultados da atual gestão, Lula mencionou a redução do desmatamento na Amazônia em cerca de 50% e no Cerrado em mais de 30%. Além disso, foram registradas diminuições significativas nas queimadas no Pantanal, atingindo mais de 90%. O Brasil também foi anunciado como sede da COP-30, conferência da ONU dedicada à questão climática, e lançou iniciativas como o “Fundo Florestas Tropicais para Sempre” e a Coalizão de Mercados de Carbono, sendo ovacionado ao propor a candidatura da região de Abrolhos para Patrimônio Mundial da UNESCO.
Objetivos da Presidência Brasileira na COP-15
Lula delineou três principais objetivos da presidência brasileira na COP-15: fortalecer os princípios consagrados pelas Convenções do Clima, da Desertificação e da Biodiversidade; mobilizar recursos financeiros e criar mecanismos inovadores; e universalizar a Declaração do Pantanal, incentivando mais países a se engajar na proteção das espécies e de suas rotas migratórias.
No evento, o governo brasileiro anunciou a criação de uma nova unidade de conservação, a reserva Córregos dos Vales do Norte de Minas Gerais, que abrange 41 mil hectares. Além disso, a área do Parque Nacional do Pantanal será ampliada em mais 47 mil hectares, totalizando 183 mil hectares protegidos, enquanto a Estação Ecológica de Taiamã, no Mato Grosso, também terá sua área aumentada para 68 mil hectares.
