Retorno da Estátua de Hermes ao Centro Histórico
A escultura em mármore do deus Hermes, desaparecida há 46 anos, fez seu retorno triunfal à Praça Cecília Monteiro, no Centro Histórico de Vitória. Encontra-se agora, novamente, em seu lar original, após ter sido redescoberta em um quintal em Vila Velha. O reencontro foi discreto, mas repleto de significado para a cidade, onde a história e a cultura se entrelaçam.
A estátua, retirada da praça em 1979 devido a danos causados pela queda de galhos de uma árvore, passou por um longo processo de pesquisa e investigação. O professor e historiador Raphael Teixeira, juntamente com a equipe do Laboratório de Extensão e Pesquisa em Artes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), foi fundamental na busca pela obra.
Pesando cerca de 400 quilos e confeccionada em mármore Carrara, a escultura foi cuidadosamente transportada de Vila Velha para Vitória. A operação de traslado contou com a escolta da Guarda Municipal e foi programada para horários estratégicos, minimizando o risco de imprevistos no trânsito. Ao chegar à praça, uma estrutura estava pronta para receber Hermes, que finalmente voltaria a ocupar o pedestal que ficou vazio por quase cinco décadas.
O transporte da estátua demandou o trabalho de cerca de 15 profissionais e levou quatro horas e meia. Essa ação, além de técnica, foi também muito simbólica. O retorno de Hermes representa a recuperação de uma memória coletiva que atravessou gerações.
A História Esquecida de Hermes
Produzida em 1912 pelos irmãos italianos Pedro e Ferdinando Gianordoli, a escultura era parte de um conjunto artístico da escadaria Bárbara Monteiro Lindenberg. Durante muitos anos, fez parte do cotidiano dos habitantes do Centro Histórico, até seu desaparecimento em 1979. Naquele ano, uma forte chuva fez com que galhos caíssem sobre a peça, causando danos significativos.
Após o incidente, a escultura foi retirada para restauração e levada ao ateliê de um artista que residia em Vila Velha. Infelizmente, isso resultou em um longo período de inatividade, e o pedestal permaneceu no local enquanto a obra se tornava parte de uma obscura história esquecida com o tempo.
O resgate da memória sobre a escultura se deu através do trabalho incansável de Raphael Teixeira, que encontrou a peça no quintal de uma residência em Vila Velha. “Trata-se de um monumento que pertence a toda a sociedade, que estava esquecido por mais de quatro décadas e agora retorna ao conjunto arquitetônico ao redor do Palácio Anchieta, resgatando parte da identidade cultural do povo capixaba”, declarou Teixeira.
Marcas do Tempo e Planos Futuros
A redescoberta de Hermes revelou uma surpresa: não se tratava apenas de um busto, mas de uma escultura completa, que faz parte de um conjunto de mármores europeus que chegaram a Vitória no início do século passado. Agora de volta ao seu espaço original, a peça exibe as marcas do tempo, sem intervenções imediatas, mantendo sua aparência atual.
Conforme reportado anteriormente, a prefeitura de Vitória está avaliando a possibilidade de restaurar a escultura futuramente. No entanto, esse trabalho exige a colaboração de especialistas em mármore de Carrara, material italiano utilizado na escultura, cuja ausência no Espírito Santo evidencia a complexidade do processo de restauro.
“O restauro em mármore requer mão de obra altamente qualificada. Atualmente, existem técnicas que possibilitam a reconstrução de partes da obra por meio de modelagem em 3D e posterior escultura em mármore”, explicou Teixeira, ressaltando a necessidade de expertise para garantir a integridade da peça.
Projeto de Recuperação de Monumentos Históricos
A volta da estátua de Hermes é parte de um projeto mais abrangente de recuperação dos monumentos históricos de Vitória, coordenado pela Secretaria Municipal de Cultura em parceria com a Central de Serviços da prefeitura. Desde 2025, o município tem se dedicado a catalogar e revitalizar esculturas, bustos e obras públicas presentes na cidade, já tendo identificado 63 monumentos. Com a redescoberta de Hermes, esse número aumenta para 64.
“Nos últimos meses, temos dado especial atenção à recuperação, ao restauro e à identificação de todos os monumentos da cidade. Eram 63 peças e agora temos a 64ª, que é a estátua que estamos trazendo de volta”, afirmou o secretário municipal de Cultura de Vitória, Edu Henning, ressaltando o compromisso da administração com a preservação da história e identidade da cidade.
