Desafios de Mobilidade e Valorização Imobiliária
A Enseada do Suá se destaca como o bairro com os maiores preços de imóveis residenciais do Espírito Santo, segundo a pesquisa FipeZap, com um valor médio de R$ 17.731/m². Contudo, essa informação gera certa estranheza entre profissionais do setor imobiliário, já que bairros como Praia do Canto, Barro Vermelho e Mata da Praia são frequentemente vistos como mais valorizados, tanto em percepções quanto em preços de novos lançamentos.
O levantamento feito pela FipeZap considera imóveis prontos e anunciados, excluindo novos lançamentos do cálculo. Essa abordagem pode distorcer a realidade, uma vez que a Enseada é um dos bairros mais novos da capital, com grande parte de sua verticalização ocorrendo nas últimas duas décadas. Essa particularidade impacta na média de preços, que é puxada para cima pelos imóveis mais recentes.
O potencial da Enseada para se tornar ainda mais atraente para os capixabas é inegável. Sua posição central, cercada por lindas praias, praças e um skyline impressionante, a torna um local desejado para moradia. Contudo, a região enfrenta desafios significativos que podem inibir seu crescimento.
Trânsito e Poluição: Problemas Crônicos
Entre os problemas mais notáveis estão o trânsito intenso nos horários de pico e a poluição. A Enseada lidera o ranking de pó preto na cidade e o congestionamento é agravado pelos acessos da Terceira Ponte, que conecta Vitória a Vila Velha. No ano passado, a prefeitura implementou algumas mudanças viárias, mas os resultados ainda estão aquém do esperado, especialmente na principal via do bairro, a Américo Buaiz – Navegantes.
Um dos fatores que contribui para o caos no trânsito é a presença de mais de 10 ruas sem saída que se conectam à avenida principal. Essa configuração urbanística, desenvolvida no final dos anos 1960, reflete um modelo de urbanismo que se mostra inadequado à realidade atual. A Enseada, que possui uma densidade tão alta quanto uma metrópole, ainda mantém características de um loteamento suburbanizado de seis décadas atrás.
Isso é comparável a tentar rodar um software moderno em um hardware antigo: as ruas ‘cegas’ criam um labirinto ineficiente, prejudicando a mobilidade e a acessibilidade necessárias para um centro de negócios vibrante.
A Necessidade de Mudanças Urbanas
Portanto, a permanência dessas ruas sem saída, características do urbanismo bucólico, não se justifica no contexto atual da Enseada do Suá. Embora esse tipo de planejamento possa ser adequado em áreas periféricas, no coração do Espírito Santo, faz mais sentido oferecer vias que permitam rotas alternativas e descongestionem as principais artérias da região.
A abertura de algumas dessas ruas poderia aliviar significativamente o tráfego nas ruas Dra. Odete Braga Furtado e Florentino Faller. Além disso, essa mudança contribuiria para um urbanismo mais sustentável, alinhado com as diretrizes do US Green Building Council e o selo LEED, que promovem a redução da emissão de poluentes e a melhoria da qualidade de vida urbana.
Por fim, a Enseada do Suá tem sim um caminho a seguir para melhorar sua mobilidade e, consequentemente, impulsionar seu mercado imobiliário. A questão reside na capacidade do poder público em analisar e implementar soluções eficazes.
