Reitora da UFRGS Destaca Papel Fundamental das Universidades
A reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), uma das líderes em educação no país, foi recentemente reconhecida em uma lista da Forbes, onde expressou sua preocupação com os ataques às universidades públicas em um cenário global. A física enfatiza que é crucial que a população compreenda que as universidades são responsáveis pela implementação de políticas públicas. “O governo não tem condições de fazer formação em larga escala”, argumenta.
A UFRGS, em parceria com o Ministério da Saúde, está desenvolvendo um programa de Educação a Distância (EAD) voltado para a formação de Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Segundo a reitora, o Projeto Mais Saúde com Agente já está capacitando mais de 400 mil ACS, uma ação que evidencia a importância das universidades na formação de profissionais qualificados.
Movimento Global e Lobby das Big Techs
A reitora vê com preocupação o movimento crescente de ataques às universidades ao redor do mundo, que, segundo ela, são alimentados por um lobby das grandes empresas de tecnologia. “Há uma tentativa de criar um grande conglomerado de universidades, que eu chamo de ‘Fast Food’, por serem de baixa qualidade e não atenderem a demanda de formação crítica e aprofundada”, critica.
Ela ressalta que as big techs demonstram uma visão equivocada sobre a formação de profissionais, sugerindo que os cursos oferecidos por essas empresas poderiam substituir a experiência acadêmica. “Quem realmente pensa fora da caixa é a universidade”, defende, reiterando a importância do ambiente de pesquisa universitário na formação de cidadãos críticos.
Proposta de Aproximação com a População
Para contrabalançar essa tendência, Bernardes Barbosa sugere que as universidades busquem se aproximar da sociedade. “Isso envolve mudar a nossa linguagem e aumentar a presença nos espaços públicos, como ruas, eventos e nas redes sociais. Não é uma tarefa fácil e nem sempre confortável para os acadêmicos. Porém, é fundamental para a sobrevivência das instituições”, afirma.
Ela destaca que a diversidade nas empresas é um fator decisivo para o sucesso. Citando a pesquisa ‘Diversity Matters’ da Escola de Negócios Mackenzie, a reitora explica que empresas com melhores equilibrios entre gêneros e raças tendem a ter uma performance superior. “Empresas que possuem mais diversidade, tanto em gênero quanto em raça, obtêm lucros maiores”, conclui.
Importância das Cotas e Diversidade nas Universidades
A reitora reconhece o papel das cotas como um mecanismo essencial para abrir espaço nas universidades, mas enfatiza que a inclusão deve ir além da mera entrada. “É fundamental que essas diferentes visões contribuam para as discussões e decisões dentro das universidades. Se em uma sala de 20 pessoas, todas têm a mesma formação e visão de mundo, provavelmente todas apresentarão as mesmas soluções. É preciso incorporar visões diversas, conhecimento científico e inovação para promover verdadeiras transformações”, afirma.
Bernardes Barbosa conclui que a diversidade não apenas enriquece o debate acadêmico, mas também é um caminho necessário para que as universidades possam se adaptar e responder aos desafios contemporâneos de maneira eficaz e inovadora.
