Mulheres em destaque no setor portuário
Ao olhar para o horizonte nos complexos portuários da região metropolitana do Espírito Santo, é comum ver uma fila de navios aguardando para atracar. Contudo, a complexidade dessas operações é frequentemente subestimada, ainda mais quando se considera que muitas dessas tarefas são assumidas por mulheres. Neste mês, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, celebrado no último domingo, vamos explorar as contribuições de profissionais como Adriana, Salma e Carolina, que atuam na concessionária dos portos locais. A presença feminina nesse setor, historicamente dominado por homens, vem crescendo de forma significativa.
A operação de um porto envolve um planejamento minucioso e organização rigorosa. Salma Paiva, coordenadora de Planejamento e Operações da Vports, compartilha algumas das exigências desse trabalho: “Existem regras estritas que garantem a segurança da navegação e a operação portuária, além de uma programação que deve ser seguida à risca.” Com 18 anos de experiência, ela observa que o ambiente de trabalho se transformou ao longo do tempo. “Antigamente, era um setor quase exclusivamente masculino. No início da minha carreira, aos 20 anos, foi um desafio conquistar meu espaço e ser respeitada”, conta Salma, que foi promovida de supervisora a coordenadora em apenas três anos no setor privado, liderando uma equipe de 25 pessoas.
Desafios e superações no dia a dia
Na função de Salma, o planejamento é vital para a programação da chegada dos navios, envolvendo a interação com agentes marítimos, donos de carga e operadores portuários. Ela revela algumas curiosidades sobre o trabalho: após estudos técnicos, o porto agora aceita navios de até 83 mil toneladas. Contudo, há restrições de altura para as embarcações, que não podem ultrapassar 51,80 metros devido à fiação elétrica que conecta Vitória a Vila Velha. Além disso, por questões de segurança, apenas uma embarcação pode manobrar dentro do porto por vez.
Carolina Natali Halász é outra profissional que se destaca no setor. Oficial de náutica desde 2005, atualmente atua como supervisora de Serviço de Tráfego de Embarcações no VTMIS, o centro de controle da Vports. Para ela, as dificuldades começaram já na formação: “Dos 105 alunos que iniciaram o curso, apenas 30 eram mulheres”, revela. Desde então, Carolina acumulou experiência ao pilotar navios de 200 metros e navegar por diversos portos ao redor do mundo, incluindo localidades na Europa e na América do Sul. Ela compara seu trabalho ao dos controladores de voo, ajudando os comandantes na tomada de decisões, oferecendo informações sobre tráfego e condições meteorológicas.
Trajetórias que inspiram
Adriana Menezes Pessotti, que há oito anos trabalha na área, é a diretora Jurídica e Regulatória da concessionária, liderando uma equipe composta por sete mulheres. Ela foi protagonista em um marco importante na história portuária brasileira, sendo parte da primeira concessão dos portos de Vitória, Vila Velha e Barra do Riacho à iniciativa privada. “Sou apaixonada pelo que faço. Estar à frente do jurídico da primeira autoridade portuária privada do Brasil é um privilégio”, afirma. Adriana destaca a importância de sua atuação na construção de um novo modelo de gestão do setor, que envolveu a definição de processos em conformidade com diversos órgãos reguladores.
Antes de se dedicar ao Direito, Adriana foi nadadora profissional e fez parte da seleção brasileira de natação. Ela acredita que a disciplina adquirida nas piscinas foi fundamental para enfrentar os desafios do ambiente corporativo. “A natação me ensinou foco e resiliência”, explica, ressaltando que essas qualidades são essenciais, especialmente para mulheres em cargos de liderança.
Iniciativas para a valorização feminina
A Vports implementou um projeto voltado para o fortalecimento da liderança feminina e o desenvolvimento profissional das mulheres no setor. Larissa de Aquino Fleischmann, gerente de Gente e Comunicação da empresa, explica que cada encontro do projeto é planejado para ajudar as mulheres a superarem desafios e acelerarem suas carreiras. “Esse movimento é fundamental para valorizar as mulheres do porto, dando a elas as condições necessárias para crescerem em suas áreas de atuação”, conclui.
