Entenda os Efeitos do Tarifaço nos Produtos do Espírito Santo
A recente história das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos importados, incluindo os brasileiros, ganhou novos desdobramentos. Após a Suprema Corte dos EUA anular tarifas que chegavam a 50% sobre itens brasileiros, o presidente Donald Trump anunciou uma nova tarifa global de 10%, que foi elevada para 15% no último sábado (21). Embora a confirmação oficial tenha ocorrido apenas às 0h01 de terça-feira (24), a implementação da taxa já gera preocupações entre os exportadores capixabas.
Os Estados Unidos representam um importante destino para os produtos do Espírito Santo, recebendo 16,8% das exportações do estado em 2025. Entre os principais itens exportados estão rochas ornamentais, aço, petróleo, celulose, café e minério de ferro. Com a nova taxação, esses produtos enfrentarão um aumento no custo para entrar no mercado norte-americano.
A decisão da Suprema Corte, que ocorreu na última sexta-feira (20), anulou todas as tarifas baseadas na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), incluindo as tarifas recíprocas de 10% anunciadas anteriormente. A sobretaxa de 40% sobre diversos itens brasileiros, imposta em julho de 2025, foi também revogada. Embora Trump tenha retirado a taxa de 40% sobre produtos agropecuários em novembro, a tarifa de 15%, que agora se aplica, continua a preocupar os exportadores.
A nova ordem executiva do presidente americano traz algumas exceções, que terão taxa zerada. Produtos como café cru, gengibre, macadâmia e outros ficarão isentos da nova taxação. Segundo Bruno Marques, despachante aduaneiro e diretor comercial da Speed Soluções em Comex, prevalecerá a tarifa padrão, que já era aplicada antes do tarifaço, acrescida dos 15% da nova taxa global. Ele destaca que a variação na taxa dependerá do tipo de produto.
O advogado especialista em Direito Comercial Internacional, Bruno Barcellos Pereira, ressalta que a tarifa de 15% é o limite máximo permitido pela legislação americana, que autoriza o presidente a estabelecer tarifas globais temporárias por até 150 dias sem a necessidade de aprovação do Congresso. Os produtos de rochas ornamentais agora, que estavam sob uma alíquota de 50%, também sofrerão a nova taxa adicional de 15%. Pereira acredita que isso terá um impacto significativo nas margens de lucro dos contratos do setor, que é fortemente dependente do mercado americano.
Impactos para o Setor de Café e Outros Produtos
Sobre o café, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) está em constante contato com os parceiros nos Estados Unidos, monitorando as novas medidas para entender o impacto no comércio. A entidade acredita que os cafés verdes e torrados estarão isentos da nova taxação, enquanto o café solúvel, que anteriormente tinha uma tarifa de 50%, passará a ter uma taxa de 15%. Aguinaldo Lima, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria do Café Solúvel (Abics), avaliou que essa mudança é positiva, pois iguala as condições comerciais do Brasil com as de outros países fabricantes. Ele enfatiza a importância deste mercado, que representa cerca de 20% das exportações de café do Brasil e vale mais de US$ 250 milhões.
Para Pablo Lira, presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), o Espírito Santo e o Brasil poderão se beneficiar dessa nova tarifa global de 15%, apesar do cenário de instabilidade nos mercados. Ele acredita que as rochas ornamentais serão uma das principais mercadorias favorecidas pela nova taxa, além de pescados, uvas e mel. Lira referiu-se a um estudo do Global Trade Alert, que revelou que a economia brasileira deve se beneficiar significativamente com a queda das tarifas médias de importação pelos EUA em 13,6 pontos percentuais.
Essas novas alterações nas tarifas podem representar um alívio para o mercado capixaba, que tem enfrentado desafios nos últimos anos. No entanto, o cenário ainda é de cautela, uma vez que a situação dos mercados internacionais continua instável e os efeitos práticos das novas tarifas precisarão ser monitorados de perto.
