Expectativas de Crescimento no Mercado Imobiliário
O mercado imobiliário de Vila Velha se prepara para uma fase promissora até 2026, com a discussão em torno do novo Plano Diretor Municipal (PDM) gerando grande expectativa entre investidores e profissionais do setor. A projeção é que a cidade alcance cerca de R$ 2,5 bilhões em valor geral de vendas (VGV) neste ano, com mais de 3 mil unidades sendo disponibilizadas no mercado. Esse cenário positivo, segundo líderes do segmento, é sustentado pela expectativa de queda nas taxas de juros para financiamentos imobiliários, que atualmente estão em torno de 15% ao ano, com possibilidade de redução para até 12% ou até 11,5% até o final de 2024. Esse ciclo é considerado por muitos como o mais favorável dos últimos dez anos para o setor.
No entanto, o crescimento do mercado traz à tona um desafio significativo: a necessidade de verticalização. De acordo com análises de especialistas, a cidade está se aproximando do limite para expansão horizontal, o que torna necessária uma mudança de paradigmas. O Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Espírito Santo (Sinduscon-ES), em conjunto com a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES) e a Associação dos Empresários de Vila Velha (Assevila), defende que o modelo de desenvolvimento não deve priorizar prédios excessivamente altos, mas sim promover um adensamento racional, com edificações entre 20 e 25 andares.
A Nova Abordagem na Verticalização
Essa estratégia de adensamento visa gerar economia de escala, reduzindo custos e permitindo que os preços dos imóveis se tornem mais acessíveis ao comprador. Embora existam empreendimentos isolados de 50 andares, esses são considerados exceções, não representando a norma desejada para a cidade. “Precisamos discutir um projeto de cidade que integre as definições do PDM dentro desse contexto”, afirma Alexandre Schubert, presidente da Ademi-ES.
Apesar das melhorias propostas pelo novo PDM, o setor produtivo ainda considera que o projeto precisa avançar. Críticas surgem em relação ao número excessivo de artigos e a falta de clareza na redação, o que pode gerar incertezas e conflitos de interpretação. Para referência, a cidade de Serra, que passando por um processo semelhante, conseguiu reduzir o número de artigos de quase 400 para apenas 71, tornando sua legislação mais direta e de fácil aplicação. Os empresários de Vila Velha sentem que essa oportunidade não foi totalmente aproveitada.
“Recomendamos a diminuição do número de artigos, pois muitos deles podem provocar incertezas e insegurança jurídica, o que encarece os custos de lançamento de novos empreendimentos e dificulta o desenvolvimento de projetos”, comentou Douglas Vaz, presidente do Sinduscon-ES.
Região Estratégica da ES-388 em Foco
Outro ponto central nas discussões sobre o PDM é a área próxima à rodovia ES-388, classificada atualmente como rural. O setor produtivo defende que esta região seja preparada para receber indústrias e galpões logísticos, apresentando-se como uma das principais oportunidades de crescimento para Vila Velha. A localização estratégica favorece a ligação com a BR-101 e a proximidade ao sistema portuário, elementos que são cruciais para a atração de investimentos. A cidade tem enfrentado desafios para reter investimentos que costumam migrar para municípios como Serra, Cariacica e Viana, que já dispõem de legislações mais atrativas para a instalação de empresas.
“Essas localidades estão melhor preparadas. Elas implementaram legislações que favorecem a instalação de novos negócios, o que faz toda a diferença para o desenvolvimento econômico”, analisa Éder Lemke, diretor financeiro da Assevila.
Na Região 5, identificada como subutilizada, há estimativas de áreas com até 15 milhões de metros quadrados disponíveis, além de propriedades individuais com mais de 1 milhão de metros quadrados. Transformar parte deste espaço em uma área empresarial pode ajudar a diminuir deslocamentos, reduzir custos logísticos e, ao mesmo tempo, manter empregos e aumentar a arrecadação no próprio município.
