Novas Filiações Reforçam Alinhamento Político
No último dia 26, o partido Progressistas (PP) confirmou a filiação do deputado federal Amaro Neto, que deixa o Republicanos. A chegada de Neto não representa uma mudança isolada; ele será acompanhado pelos prefeitos de três cidades do sul do Espírito Santo: Gedson Paulino, de Iconha; Zé Valério, de Jerônimo Monteiro; e Peter Costa, de Mimoso do Sul. Enquanto isso, Rodrigo Borges, de Guarapari, ainda se encontra em processo de decisão entre os dois partidos da federação União Progressista (UP), que é composta pelo PP e pela União Brasil.
O anúncio da filiação ocorreu durante uma reunião que contou com a presença de figuras influentes, como o presidente da Federação União Progressista no Espírito Santo, deputado federal Da Vitória (PP); o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB); e Marcelo Santos, presidente da Assembleia Legislativa e da União Brasil no estado. Também participaram do encontro o secretário de Estado da Agricultura, Ênio Bergoli, e o secretário-geral do PP no Espírito Santo, Marcos Delmaestro.
Alinhamento Político e Consequências
Esse movimento indica um fortalecimento do alinhamento da UP com o bloco governista, especialmente com Ferraço como pré-candidato ao governo. Contudo, essa relação enfrentou tensões recentemente, especialmente após a saída do secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Felipe Rigoni, que migrou para o Partido Socialista Brasileiro (PSB), alinhando-se ao governador Renato Casagrande. A figura de Rigoni era considerada crucial para a composição da chapa de candidatos a deputado federal, sendo essa uma prioridade para as legendas envolvidas.
A união de Amaro Neto, que já planeja sua reeleição em 2026, é vista como uma estratégia compensatória pela partida de Rigoni. Da Vitória destacou que essa articulação foi construída em conjunto com Ricardo Ferraço. O vice-governador, por sua vez, mencionou a importância do “diálogo” que possibilitou essa filiação e reconheceu a influência de Rodrigo Borges nesse processo, ressaltando o apoio de Amaro em sua trajetória política em Guarapari.
Em suas declarações, Amaro Neto comentou que sua adesão ao PP representa mais do que uma simples troca de partido; trata-se de um compromisso com o futuro do Espírito Santo. Ele enfatizou a importância de se associar a quem realmente busca o diálogo e a construção de soluções para o estado: “Junto-me à Federação União Progressista pela convergência de boas ideias ao lado das lideranças que tão bem nos acolheram”.
Desafios e Oposições
Entretanto, essa afirmação sugere uma crítica implícita ao bloco opositor, que é liderado pelo presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, e pelo prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, também do Republicanos e pré-candidato ao governo. Amaro Neto tem se mantido distante das movimentações que resultaram na migração do prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), para essa oposição, assim como o deputado federal Messias Donato, também oriundo do Republicanos.
Sobre os prefeitos que estão se juntando à UP, a maioria também tem raízes no Republicanos. Peter Costa, frequentemente mencionado como um potencial pré-candidato a deputado estadual, já havia sinalizado sua saída no ano anterior, mas a definição do novo partido ocorreu apenas agora. Sua relação com Casagrande se fortificou, principalmente durante os esforços para lidar com os danos causados pela severa enchente que assolou Mimoso do Sul em março de 2024.
No contexto de Gedson Paulino, seu vice, Fernando Caprini Volponi, é filiado ao PSB, e a chapa foi apoiada pelo governador, assim como por Ferraço e Da Vitória, nas eleições de 2024. Rodrigo Borges, embora não tenha contado com o apoio de Casagrande durante sua eleição, demonstrou alinhamento com a gestão estadual desde o início de seu mandato.
Por fim, Zé Valério também recebeu suporte de Renato Casagrande ao conquistar seu primeiro mandato em Jerônimo Monteiro, tendo sido eleito pelo PSD, partido que, atualmente, parece cada vez mais próximo da oposição liderada por Lorenzo Pazolini.
