Reações à Transferência de Jair Bolsonaro
A recente decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de transferir o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para uma ala do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, gerou reações polarizadas no cenário político brasileiro. Os aliados de Bolsonaro enxergam a medida como uma forma de punição política, enquanto seus adversários a consideram uma vitória da Justiça.
Parlamentares próximos a Bolsonaro não hesitaram em criticar a decisão. O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), descreveu a transferência como uma “vingança travestida de legalidade”, argumentando que a ação demonstra um uso excessivo do poder por parte das instituições. “O que estamos observando não é justiça. Trata-se de autoritarismo de toga, um abuso de poder que se tornou institucionalizado”, escreveu ele em sua conta no X (antigo Twitter).
Além disso, Cavalcante sugeriu que o ideal seria que Bolsonaro recebesse prisão domiciliar, e não fosse enviado a uma penitenciária. Essa opinião foi ecoada por outros aliados, que expressaram a crença de que a decisão de Moraes é desnecessária e desproporcional.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) também comentou sobre a transferência, reconhecendo que, aparentemente, a nova unidade prisional oferece condições melhores. “Parece ser um espaço mais tranquilo, com atendimento médico 24h. No entanto, a verdadeira questão permanece: por que não deixá-lo em casa?”, questionou Ferreira, ao enfatizar que a situação de Bolsonaro é um reflexo de um crime que, segundo ele, o ex-presidente não cometeu.
Os filhos de Bolsonaro também se manifestaram sobre essa mudança. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência, expressou a esperança de que o pai pudesse ser transferido para casa, argumentando que esse seria o único lugar que poderia mitigar o risco de quedas. Por sua vez, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) enfatizou que a decisão de Moraes representa um confronto institucional.
A Visão dos Adversários
No lado oposto, adversários de Bolsonaro não perderam a oportunidade de lembrar declarações do ex-presidente sobre o sistema prisional. Para eles, a transferência para uma cela com melhores condições desmantela a narrativa de “tortura” que buscava justificar uma solicitação de prisão domiciliar.
A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou que a transferência ainda seria “muito” para um “líder de organização criminosa”. Em uma crítica contundente, ela comentou: “Por mim, Bolsonaro deveria viver as suas próprias palavras: ‘bandido tem que apodrecer na cadeia’. Se cadeia é um lugar ruim, basta não fazer besteira para não ir parar lá”.
O líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), também se manifestou, defendendo que, enquanto Bolsonaro esteve detido na Superintendência da Polícia Federal, a defesa promoveu uma campanha para deslegitimar a pena. Segundo Farias, fala-se em “cativeiro” enquanto o ex-presidente goza de privilégios que muitos prisioneiros não têm, como uma sala individual e atendimento médico permanente. “Não há violação de direitos aqui, mas sim o cumprimento da lei, respeitando a dignidade humana, em condições melhores que a maioria da população carcerária”, argumentou.
