Iniciativa do Governo em Vitória
A Tenda Lilás foi um dos principais atrativos da última edição do “Governo do Brasil na Rua”, realizada em Vitória (ES) na sexta-feira (27). Essa ação busca aproximar as políticas de combate à violência contra as mulheres da comunidade, além de fortalecer a rede de proteção no Espírito Santo. O espaço, dedicado ao acolhimento e orientação, ofereceu informações sobre direitos, funcionamento da rede de assistência, canais de denúncia e serviços disponíveis no estado. Essa iniciativa faz parte da estratégia do Ministério das Mulheres para ampliar o acesso a políticas públicas e reforçar a prevenção à violência de gênero.
A coordenadora do Núcleo Estratégico de Participação e Mobilização Social do Ministério das Mulheres destacou que a Tenda Lilás é uma ferramenta crucial para a mobilização social e a garantia de direitos. “Quando levamos informação e orientação para perto das mulheres, fortalecemos a rede e ampliamos o acesso às políticas públicas”, afirmou.
Conscientização e Acolhimento
Maria Aparecida Fernandes, assistente social no Centro Margaridas, uma iniciativa da Secretaria Estadual das Mulheres na região metropolitana, ressaltou a importância do projeto na conscientização da população. “É fundamental dar visibilidade a esse problema. Antes, muitas mulheres viam a violência como normal. Agora, isso mudou”, destacou.
Ela explicou que o acolhimento na Tenda Lilás pode ocorrer de forma espontânea ou por meio de encaminhamentos feitos por delegacias, Patrulha Maria da Penha, CRAS ou CREAS. O atendimento é multidisciplinar, englobando suporte social, psicológico e jurídico.
Dados sobre Violência no Espírito Santo
Os dados do Ligue 180 no Espírito Santo mostram que, em 2025, foram registrados 7.391 atendimentos, com 2.907 denúncias formalizadas, o que equivale a uma média de quase oito denúncias por dia. Em 69% das ocorrências, a própria vítima fez a denúncia. A maior parte das denúncias (cerca de 81%) está relacionada a situações de violência doméstica e familiar, sendo as formas mais frequentes a violência física (1.307 casos, aproximadamente 45%) e a psicológica (884 casos, cerca de 30%).
A maioria das mulheres que buscaram ajuda estava na faixa etária de 20 a 44 anos. Entre os registros, 1.314 vítimas eram pardas e 813 tinham o ensino médio completo. A maioria delas não tinha renda ou recebia entre meio e um salário mínimo.
Feminicídios e Ampliação da Rede de Atendimento
Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, revelam que, entre janeiro e dezembro de 2025, foram contabilizados 34 feminicídios na capital capixaba. Para enfrentar essa situação, o Governo Federal destina cerca de R$ 9,4 milhões para fortalecer e expandir a rede de atendimento às mulheres no Espírito Santo, por meio da instalação e estruturação de Casas e Centros de Referência da Mulher Brasileira.
A Casa da Mulher Brasileira, em Vila Velha, está em fase de conclusão, com inauguração prevista para maio de 2026 e um investimento de aproximadamente R$ 5,9 milhões da União. Outros Centros de Referência estão em andamento em Vitória, São Domingos do Norte e Cariacica, totalizando recursos significativos destinados a essas iniciativas.
Parcerias e Mobilização
O Ligue 180 está em processo de formalização de um Acordo de Cooperação Técnica com a Secretaria de Estado da Segurança Pública, o Ministério Público do Espírito Santo e a Secretaria Estadual das Mulheres. O objetivo é fortalecer o fluxo de informações e aprimorar o atendimento às vítimas de violência.
Tenda Lilás: Uma Iniciativa Itinerante
Lançada em Brasília (DF) em dezembro de 2025, a Tenda Lilás é uma ação itinerante do Ministério das Mulheres, coordenada pelo Núcleo Estratégico de Participação e Mobilização Social. A iniciativa já passou por várias localidades, como Ceilândia (DF), Macapá (AP), Goiânia (GO), durante eventos populares, como o carnaval em Maceió (AL), promovendo o acesso das mulheres a serviços e informações sobre direitos.
A Tenda Lilás tem se mostrado um passo significativo na luta pela equidade de gênero, mostrando que, por meio da informação e da mobilização, é possível criar redes de proteção efetivas para as mulheres do Espírito Santo e de todo o Brasil.
