A História de Superação de Muriel Franklin
A vida de Muriel Franklin de Souza, de 36 anos, foi marcada por um acidente de moto que mudaria seu destino para sempre. Com apenas 22 anos, ele passou três meses em coma, apenas para acordar enfrentando a dura realidade de ser paraplégico. Porém, essa tragédia se transformou em um catalisador para a mudança. O surfe tornou-se o pilar de sua recuperação física e emocional, levando-o a se preparar para competir no Surf Brasil Parasurf, o Campeonato Brasileiro de Surfe Adaptado, que acontece de 20 a 24 de maio em Borete, Pernambuco.
“O surfe adaptado me fez renascer”, afirma Muriel, que encontrou no esporte uma nova razão para viver.
Um Passado Marcado por Decisões Erradas
Muriel começou a surfar ainda jovem, aos 10 anos, na praia de Camburi, em Vitória. Desde então, o surfe representou mais do que apenas um esporte para ele; foi uma verdadeira libertação e modo de vida. Contudo, ao longo do caminho, Muriel fez algumas escolhas que o afastaram do surfe e o levaram à prisão. “Em um momento da minha trajetória, eu me perdi. Entrei em um mundo de ilusões, um caminho que me afastou do surfe e de mim mesmo”, relembra. As consequências disso foram anos de depressão e conflitos internos intensos, não apenas para ele, mas também para sua família.
Em 2013, a vida de Muriel tomou um rumo inesperado. Um acidente de moto na Rodovia Norte-Sul o deixou com fraturas graves, perfuração no pulmão e um diagnóstico devastador: paraplegia. Ele passou três meses em coma e, ao acordar, enfrentou a reabilitação como um verdadeiro desafio. “Foram anos difíceis de adaptação à nova realidade e de luta para recuperar minha autonomia”, conta.
A Volta ao Surfe e a Busca por Inclusão
A primeira tentativa de retomar o surfe aconteceu em 2017, mas ele se deparou com a falta de estrutura e apoio para projetos de inclusão. Infelizmente, Muriel acabou retornando ao crime e foi preso novamente. No entanto, ao sair da prisão em 2024, decidiu que era hora de mudar de vida.
Desde então, ele se dedicou novamente ao surfe. Agora morando em Vila Velha, treina sob a orientação do técnico Raphael Mattos na praia do Solemar, em Jacaraípe, Serra. A inspiração para seu retorno ao parasurfe veio ao assistir a vídeos de Carlos Kill, um capixaba que também se tornou campeão de surfe adaptado após um acidente.
“O surfe adaptado reacendeu em mim algo que estava adormecido. Ele me fez lembrar do menino que começou a surfar aos 10 anos e me devolveu a sensação de liberdade que sempre encontrei no mar. O surfe tem me ajudado a me reconstruir e encontrar novos objetivos”, revela Muriel.
Desafio Financeiro para Competir
Para participar do Surf Brasil Parasurf, Muriel e seu treinador precisam arrecadar R$ 7 mil, quantia essencial para custear a viagem e estadia em Pernambuco durante a competição. Para isso, ele organizou uma rifa solidária, onde as cotas custam R$ 25. O sorteio será realizado no dia 20 de abril, utilizando a Loteria Federal, e os prêmios incluem uma prancha e uma camiseta.
“Estou buscando apoio e patrocínio para representar o Espírito Santo. Minha história vai além do surfe; é sobre resiliência, superação e encontrar um caminho de volta, que sempre leva ao mar”, conclui Muriel Franklin, um exemplo de força e determinação no esporte.
