Desaceleração no Mercado Imobiliário
O mercado imobiliário na Grande Vitória, reconhecido por sua importância econômica, registrou vendas brutas de aproximadamente R$ 500 milhões por mês durante o segundo semestre de 2025. Nesse período, foram contabilizadas 18.969 unidades residenciais em produção e o lançamento de 3.643 novos imóveis. Para 2026, estima-se a introdução de mais 6.664 unidades. Esses dados, extraídos do 46º Censo Imobiliário e da pesquisa de previsão de lançamentos do Sindicato da Indústria da Construção no Estado (Sinduscon-ES), refletem um setor robusto, embora operando com prudência.
Surpreendentemente, cerca de 75% das unidades em produção já foram vendidas, o que é um indicativo positivo para a saúde do mercado. No entanto, o ritmo de crescimento permanece mais lento se comparado a anos anteriores. Eduardo Schwartz Borges, diretor de Economia e Estatística do Sinduscon-ES, esclareceu: “Não temos cenário de crise, mas também não há mais um clima de aquecimento como antes.”
Vendas em Nível Estável
A velocidade das vendas no setor imobiliário reforça essa análise, com uma média de 5% a 6% do estoque disponível sendo vendido mensalmente — um índice que se alinha com a média histórica do setor. “Esse desempenho é um sinal de estabilidade, longe de um superaquecimento”, detalhou Borges.
Embora o cenário atual de juros altos traga desafios, a construção civil continua a avançar. Entre julho e dezembro de 2025, 3.822 unidades foram lançadas na Grande Vitória, enquanto 1.626 foram finalizadas. Contudo, essa atividade é resultado de decisões tomadas anos antes. “O processo de incorporação pode levar até cinco anos, portanto, os lançamentos de hoje têm raízes em escolhas passadas”, explicou o diretor do Sinduscon-ES.
Projeções para 2026 e Cautela no Setor
As previsões para 2026 sugerem que o mercado se manterá ativo, mas com um ritmo mais moderado. Os lançamentos estão concentrados nos principais municípios da Região Metropolitana. Contudo, o otimismo das incorporadoras parece ter diminuído; atualmente, apenas 55% das empresas manifestam intenção de ampliar seus lançamentos, um número inferior ao que foi observado em ciclos passados. “A atual proporção reflete uma maior cautela nas decisões empresariais”, ressaltou Borges.
Desafios Enfrentados pelo Setor
A escassez de mão de obra emergiu como um dos principais desafios enfrentados pelas empresas do setor. Essa questão, conforme destacaram os executivos, agora é percebida como uma barreira mais significativa do que os altos juros, que historicamente eram considerados os principais entraves. “A falta de trabalhadores qualificados se tornou um dos maiores obstáculos para o setor”, comentou o diretor do Sinduscon-ES.
Além disso, as construtoras ainda enfrentam dificuldades estruturais, como a limitação de terrenos disponíveis, especialmente em Vitória, a burocracia nos processos de aprovação e os altos custos cartoriais. A instabilidade política e econômica também tem impacto no ambiente de negócios. “Estamos vivendo um cenário de incerteza, que leva as empresas a serem mais seletivas em suas decisões”, finalizou Borges.
