Movimentações no Secretariado para as Eleições de 2026
Pelo menos 13 secretários que fazem parte da administração do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), estão se preparando para participar da corrida eleitoral em 2026, buscando vagas na Assembleia Legislativa (Ales) e na Câmara dos Deputados. Esse número corresponde a cerca de metade do secretariado atual, que conta com 27 pastas na estrutura governamental.
Além dos secretários, outros nomes do primeiro escalão do governo, como dirigentes de órgãos e subsecretários, também estão sendo considerados para compor chapas visando aos legislativos estadual e federal. De acordo com informações obtidas pela reportagem de A Gazeta através de fontes partidárias e assessorias, pelo menos 10 pré-candidaturas foram confirmadas até o momento.
Três secretários adicionais, que atualmente não estão vinculados a nenhum partido, também são apontados como potenciais candidatos. Um deles, Fabrício Noronha, secretário de Cultura, é mencionado como uma possibilidade, embora ainda apenas especulativa.
O Contexto Eleitoral e a Estratégia Política
A movimentação política no alto escalão do governo começou a ganhar força nos últimos meses, mas suas raízes remontam ao início do ano passado. O vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) deixou a Secretaria de Estado de Desenvolvimento para concentrar-se nas articulações políticas que o levaram a se apresentar como candidato ao governo do estado, um anúncio feito no final de dezembro.
Com o governador Casagrande completando seu segundo mandato consecutivo e impedido de concorrer novamente ao executivo, a participação dos secretários na disputa eleitoral é vista como uma estratégia abrangente para preservar e ampliar a influência política nos legislativos estaduais e federal.
Alguns secretários já definiram os partidos pelos quais pretendem se candidatar, enquanto outros ainda buscam uma legenda ou avaliam a possibilidade de se candidatar. Até agora, espera-se que cinco nomes do alto escalão do governo concorram à Ales, e outros oito à Câmara dos Deputados.
Desafios da Desincompatibilização
A entrada dos secretários na disputa eleitoral deverá resultar em mudanças nas pastas até o início de abril. Segundo a legislação eleitoral, ocupantes de cargos de confiança que desejam concorrer a cargos eletivos devem se desligar de suas funções com a necessária antecedência, respeitando os prazos de desincompatibilização.
Esses prazos variam entre três e seis meses antes das eleições, que este ano estão agendadas para o primeiro turno em 4 de outubro. Os secretários que aspiram a cargos de deputado federal ou estadual devem se afastar até seis meses antes da data estipulada.
Além disso, aqueles que ainda não decidiram a qual partido se filiar devem regularizar sua filiação e domicílio eleitoral até o início de abril.
Confirmação de Pré-Candidaturas pelos Partidos
Dirigentes partidários estão trabalhando nas articulações para lançar os secretários como candidatos nas eleições do Espírito Santo. O presidente do PSB, Alberto Gavini, confirmou os secretários filiados ao partido que estarão se candidatando, e enfatizou a importância de uma preparação adequada antes das eleições, incluindo treinamentos em planejamento de campanha e uso de redes sociais.
“Estamos focados em preparar nossos candidatos com formação em diversas áreas, como legislação eleitoral e contabilidade de campanha, além de oferecer apoio financeiro por meio do fundo eleitoral”, afirmou Gavini. O PSB, partido do governador, conta com o maior número de secretários cotados para as eleições, totalizando seis nomes.
Quem são os Secretários Pré-Candidatos
A lista dos secretários do PSB que devem concorrer inclui três nomes para a Câmara dos Deputados: Tyago Hoffmann, Emanuela Pedroso e Vitor De Angelo. Já para a Assembleia Legislativa, são citados Victor Coelho, Jacqueline Moraes e Bruno Lamas.
O PT também confirmou que José Carlos Nunes, atual secretário de Esporte e ex-deputado estadual, será candidato a uma vaga na Assembleia. Outros secretários, como Cyntia Grillo e Felipe Rigoni, tiveram suas pré-candidaturas confirmadas por suas assessorias.
Além disso, mesmo sem filiação partidária, secretários como Rafael Pacheco, da Justiça, e Fabrício Noronha, da Cultura, estão sendo considerados como candidatos potenciais.
Visão de Especialistas sobre o Cenário Político
O cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, destaca que a presença de secretários em chapas proporcionais é uma resposta dos partidos à necessidade de apresentar candidatos reconhecíveis, aproveitando a visibilidade que possuem na administração pública. “Quando um secretário combina capacidade técnica e política, ele se torna uma figura valiosa para a eleição”, analisou Prando.
Essa dinâmica, segundo ele, é fundamental para que os partidos construam uma base sólida e competitiva, crucial para o sucesso nas urnas nas eleições legislativas.
