Saúde Mental e Estresse Financeiro: Uma Realidade Atual
Nos últimos anos, o Brasil tem enfrentado um aumento alarmante de afastamentos relacionados à saúde mental, especialmente por ansiedade e depressão. Dados do Anuário Saúde Mental nas Empresas 2025, do Instituto PhilosOrg, revelam que o país é líder mundial em transtornos de ansiedade e se destaca entre os que apresentam os maiores índices de depressão nas Américas. A pesquisa indica que 60% dos trabalhadores brasileiros consideram o trabalho uma fonte de ansiedade, e 72% relatam consequências do estresse emocional.
Interessantemente, a saúde financeira é um fator crucial que contribui para esse estresse. Um estudo realizado nos Estados Unidos em 2025 mostrou que funcionários que lidam com problemas financeiros perdem em média de 7 a 8 horas de produtividade por semana, resultando em um prejuízo de cerca de 250 bilhões de dólares por ano para a economia americana. Além disso, apenas metade desses trabalhadores se sente energizada em suas atividades profissionais, em contraste com 68% dos que não enfrentam preocupações financeiras.
O Efeito das Preocupações Financeiras no Desempenho
Uma pesquisa do Reino Unido, realizada em 2025 com mais de 2 mil trabalhadores, reforçou essa conexão. Aproximadamente 40% dos participantes admitiram que suas preocupações financeiras impactam diretamente sua performance, resultando em altos níveis de estresse (40%), exaustão mental (35%), desmotivação (26%) e exaustão física (25%). Mais de 22% dos respondentes relataram uma diminuição significativa na concentração e no foco, evidenciando a urgência em abordar a saúde financeira no ambiente de trabalho.
Carla Chaves Santos, especialista em saúde psicossocial e educação financeira, observa que esses dados são reflexo da realidade que ela testemunha na Marinha do Brasil. Ela explica: “Militares e servidores que enfrentam estresse financeiro não conseguem desempenhar suas funções da melhor maneira. Suas mentes ficam divididas entre a missão a cumprir e as contas a pagar”.
A Relação Entre Educação Financeira e Saúde Mental
Dados do setor financeiro mostram que mais da metade da população brasileira admite não ter conhecimento suficiente sobre educação financeira, o que pode impactar negativamente tanto no estresse quanto na saúde mental. Carla ressalta que sintomas de tensão financeira e emocional caminham lado a lado, especialmente em tempos de incertezas econômicas. Para ela, “cenários de crise podem intensificar os riscos psicossociais. Em ambientes de alta pressão, qualquer perda de confiança pode levar a estresse crônico e deterioração do bem-estar”.
Segundo estudos de órgãos de referência no Brasil e nos Estados Unidos, há uma relação direta entre a dívida e o adoecimento emocional. O estresse financeiro crônico está associado a diversas condições de saúde mental, como ansiedade, depressão, distúrbios do sono e hipertensão. A especialista argumenta que a educação financeira é uma ferramenta que pode reduzir esses gatilhos emocionais no ambiente de trabalho. “Quando os trabalhadores têm controle sobre suas finanças e entendem suas decisões orçamentárias, a carga de estresse diminui e a produtividade se mantém em níveis saudáveis”.
Iniciativas de Suporte e Cuidado
É importante ressaltar a crescente iniciativa de integrar ferramentas digitais voltadas para o bem-estar, protocolos de cuidado e linhas de apoio específicas, especialmente para profissionais em situações de alto risco emocional, como os das forças de segurança. Recentemente, a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas destacou a necessidade de ações contínuas de suporte para categorias que enfrentam pressões constantes, enfatizando a urgência de programas bem estruturados de prevenção e assistência especializada.
A Diretoria de Saúde da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) também tomou iniciativas significativas ao reforçar o atendimento multidisciplinar com foco em saúde mental para policiais e seus familiares. Essas ações são um passo importante no reconhecimento dos riscos psicológicos que estão diretamente relacionados à atividade policial. Carla, que liderou o Núcleo de Assistência Social da Marinha do Brasil, afirma: “Iniciativas como essa sublinham a importância de serviços multidisciplinares focados em saúde mental dentro das corporações militares”.
Experiência Prática e Resultados Visíveis
A análise de Carla é embasada em sua vasta experiência. Em sua função na Marinha do Brasil, ela coordenou iniciativas de educação socioemocional e prevenção ao suicídio, além de oferecer apoio a dependentes químicos e assistência em educação financeira. As ações que implementou geraram resultados significativos, como a redução da inadimplência e a melhora no ambiente de trabalho, além de melhorias no clima organizacional.
Antes de sua atuação na Marinha, Carla trabalhou em diversas instituições, tanto públicas quanto privadas, no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, desenvolvendo projetos voltados para populações vulneráveis. Durante a pandemia, ela também coordenou um polo municipal de vacinação na cidade de Vila Velha, sendo reconhecida pela Prefeitura com uma Menção Honrosa por sua excelência técnica e capacidade de decisão sob pressão.
