Os Desdobramentos da Renúncia
O governador Renato Casagrande, do PSB, já havia anunciado que, em março, tomaria uma decisão sobre sua renúncia ao cargo para concorrer ao Senado. O movimento não pegou ninguém de surpresa, já que aliados e adversários acreditavam que ele se afastaria do Palácio Anchieta para participar da corrida eleitoral.
Na última segunda-feira (2), o socialista confirmou que deixará o cargo, com a saída programada para o início de abril, no prazo limite estabelecido pela legislação eleitoral, que é até o dia 4. O vice-governador Ricardo Ferraço, do MDB, assumirá a gestão do Estado até dezembro de 2026 e já é conhecido como pré-candidato ao governo, buscando reeleição.
Um Cenário Político em Mudança
A coletiva de imprensa em que Casagrande anunciou sua renúncia aconteceu em um contexto político que difere bastante dos meses de expectativa que precederam o evento. O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, do PSDB, deixou de ser um aliado do governador, alocando-se ao lado do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, do Republicanos.
Vale ressaltar que, em nenhum momento, Arnaldinho declarou apoio explícito a Ricardo Ferraço, mas a situação política se tornou mais favorável ao vice-governador, que conta com o suporte da superfederação formada por Progressistas e União Brasil. Embora essa federação ainda não tenha anunciado apoio formal ao emedebista, sinais indicam que está ao seu lado.
Em declaração, Ricardo Ferraço mencionou que a federação terá um papel crucial em sua campanha, o que pode ter proporcionado um ambiente mais tranquilo para Casagrande e Ferraço em seu anúncio feito no início do mês.
O governador afirmou: “A federação é muito importante para o nosso movimento, mas não foi isso que motivou o anúncio no começo do mês. Nós, eu e Ricardo, temos a missão de organizar e garantir que o governo não desacelere a partir de abril. Se tudo der certo, queremos até acelerar o ritmo”, destacou Casagrande durante a coletiva.
Investigação da Polícia Federal e Seus Reflexos
Entretanto, a renúncia de Casagrande não ocorreu sem turbulências. Na sexta-feira (27), a revista Veja noticiou que a Polícia Federal solicitou a abertura de um inquérito para investigar o governador, em decorrência de mensagens trocadas com o desembargador do TRF-2, Macário Júdice. Casagrande já se defendeu das alegações, assegurando que não fez solicitações ilegais ao magistrado, alegando que as conversas ocorreram via WhatsApp.
Além disso, a Folha de S. Paulo informou que, na mesma segunda-feira, delegados foram exonerados de cargos na Polícia Civil do Espírito Santo em meio a investigações envolvendo um empresário. Casagrande comentou que não está a par de detalhes sobre as operações da polícia.
Questionado sobre o impacto desses episódios em sua estratégia eleitoral, Casagrande foi claro: “Não, nosso planejamento está dentro do que idealizamos. Estamos prontos para este passo em março, e nada disso muda nossos cálculos.”
Ele ainda acrescentou que as notícias veiculadas em alguns meios de comunicação carecem de consistência e que sua trajetória política é pautada por retidão, o que permite um diálogo franco com a sociedade capixaba.
O Futuro Político de Casagrande e Ferraço
Embora Casagrande tenha evitado se posicionar abertamente como pré-candidato ao Senado, a intenção é clara. Após deixar o mandato em abril, ele deve assumir essa postura mais explicitamente. Por outro lado, Ricardo Ferraço continua cauteloso em relação às eleições de 2026, mesmo ocupando a presidência estadual do MDB, que, neste ano, está focada nas disputas eleitorais.
O cenário capixaba, portanto, está em constante evolução, com novas alianças e desafios que prometem agitar as próximas eleições.
