Remoção de Diplomatas e Suas Consequências
O governo Trump iniciou a remoção de diversos embaixadores de carreira, um movimento que sinaliza uma nova fase na gestão do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Aproximadamente 20 diplomatas de alto escalão já receberam notificações para deixar suas funções nos próximos dias, conforme relataram fontes à CNN.
Esses embaixadores foram nomeados durante o governo Biden e representam uma longa trajetória no serviço diplomático, atuando sob a liderança de presidentes de diferentes partidos. Embora a nomeação de embaixadores seja prerrogativa do presidente, os diplomatas costumam ter mandatos que variam entre três a quatro anos, e as substituições normalmente ocorrem com a mudança de governo.
Um alto funcionário do Departamento de Estado caracterizou a saída dos embaixadores como “um processo padrão em qualquer administração”, ressaltando que “um embaixador é um representante pessoal do presidente, e é direito do presidente assegurar que aqueles que estão nos países promovam a agenda ‘América Primeiro’”. Entretanto, ex-diplomatas consideram esse movimento sem precedentes. Eric Rubin, um diplomata de carreira aposentado e ex-presidente da Associação Americana do Serviço Exterior, declarou: “Nunca vimos algo assim nos 101 anos de história do Serviço Exterior dos EUA. Embora embaixadores sirvam por indicação do presidente, a maioria deles sempre foi mantida nos cargos até que seus sucessores fossem confirmados pelo Senado”.
Rubin ainda afirmou que os Estados Unidos enfrentam um cenário crítico, com mais da metade das embaixadas americanas no exterior sem um embaixador confirmado, o que ele classifica como “um grave insulto aos países afetados e um enorme presente para a China”. Para ele, a demissão dos embaixadores resultará na aposentadoria de muitos dos profissionais mais experientes e respeitados, o que poderá prejudicar a diplomacia, a segurança nacional e a influência global dos EUA.
Reações e Consequências da AFSA
A AFSA, o sindicato dos diplomatas, informou que recebeu relatos de membros em diversas embaixadas de que vários embaixadores de carreira, indicados durante o governo Biden, foram instruídos a deixar seus postos até meados de janeiro. “Segundo nossas fontes, nenhuma explicação foi fornecida para essas remoções”, aponta o comunicado.
A organização também adverte que “retirar esses diplomatas de alto escalão sem justificativa envia uma mensagem perigosa”, apontando que isso pode afetar a percepção de confiança de aliados dos Estados Unidos e mostrar que a lealdade política pode ter mais peso do que a experiência e o comprometimento com a Constituição.
Ainda que os embaixadores de carreira não estejam sendo demitidos, eles enfrentam um prazo apertado para encontrar novas posições, ou terão que se retirar, conforme as normas do serviço exterior.
Remoção em Escala Global
Fontes apontam que a maioria dos embaixadores afetados atua em postos na África, mas as remoções também se estendem a embaixadas na Europa, na Ásia, no Oriente Médio e no Hemisfério Ocidental. Essa decisão é apenas um dos muitos passos do governo Trump para reconfigurar o Departamento de Estado, de modo a alinhar seus interesses à política ‘América First’.
Mais de 1.300 funcionários do Departamento de Estado, incluindo mais de 240 diplomatas, perderam seus empregos em uma significativa reestruturação ocorrida no início do ano. Sob a liderança do Secretário de Estado Marco Rubio, o departamento tem promovido mudanças que priorizam a redução da imigração e uma visão de mundo que minimiza a proteção e promoção dos direitos humanos.
Um relatório da AFSA, divulgado recentemente, indica que as reformas do governo Trump têm dificultado a atuação dos diplomatas, com 25% deles “pedindo demissão, se aposentando, ou sendo removidos de seus cargos” desde janeiro. A pressão sobre os diplomatas parece estar aumentando, com um número crescente considerando deixar seus postos.
Na coletiva de imprensa realizada na semana passada, Rubio minimizou as preocupações expressas no relatório, afirmando que “os diplomatas têm mais autonomia do que nunca” e que a intenção é permitir que as missões em campo conduzam não apenas diretrizes de cima para baixo, mas também iniciativas de baixo para cima. Ele expressou otimismo quanto aos benefícios que essa abordagem trará para futuros secretários de Estado.
