Aumento de Recursos para as Eleições de 2026
No cenário político de 2026, partidos e parlamentares em busca de reeleição contarão com impressionantes R$ 25,4 bilhões em recursos públicos. Este montante é fruto de uma inusitada combinação entre o pagamento antecipado de emendas parlamentares e os maiores fundos eleitoral e partidário já registrados, que redefine a dinâmica das disputas eleitorais, favorecendo quem já detém mandato.
Essa movimentação foi consagrada na legislação orçamentária, com a recente aprovação do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 pelo Congresso Nacional. O texto estabelece diretrizes para a elaboração do Orçamento do próximo ano e, pela primeira vez, fixa um calendário específico para o pagamento de emendas parlamentares. Assim, o governo Lula deverá liberar até R$ 19 bilhões destinados a deputados federais e senadores no primeiro semestre de 2026, antes das eleições.
Expansão das Emendas Parlamentares
Vale ressaltar que essa antecipação ocorre em um contexto onde o volume das emendas parlamentares tem crescido de forma significativa. Desde 2014, o montante destinado pelo governo a esses repasses saltou de R$ 44,9 milhões para R$ 49,9 bilhões em 2025, totalizando um aumento impressionante de cerca de 910 vezes.
Além disso, os partidos políticos também entrarão em 2026 com orçamentos robustos, controlando cerca de R$ 6,4 bilhões, que englobam os recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como Fundo Eleitoral. Este, por sua vez, representa o maior volume de recursos desde 2015.
Concentração de Poder Financeiro
Conforme apurado pelo Estadão, em 2026, os partidos políticos detêm um volume financeiro superior ao orçamento combinado de oito ministérios, o que sem dúvida amplia seu poder financeiro. O Fundo Partidário, que é uma verba permanente repassada anualmente pela União, tem como objetivo financiar o funcionamento cotidiano das legendas, incluindo salários, aluguel de sedes e serviços diversos. Para 2026, estima-se que os partidos receberão cerca de R$ 1,3 bilhão por meio desse fundo.
Por outro lado, o Fundo Eleitoral, que é destinado apenas no ano eleitoral e foi criado em 2017 para substituir as doações de empresas às campanhas, terá uma projeção de aproximadamente R$ 5,1 bilhões para 2026. Esta mudança se deu após o Supremo Tribunal Federal proibir, em 2015, o financiamento empresarial, uma decisão que surgiu em meio aos escândalos revelados pela Operação Lava Jato.
Impactos no Cenário Político
O orçamento combinado desses dois fundos, juntamente com as emendas parlamentares antecipadas, totaliza os citados R$ 25,4 bilhões. Para o cientista político Vinicius Alves, professor do IDP São Paulo, essa configuração aumenta a autonomia dos deputados federais na gestão de recursos que são estratégicos para a continuidade de suas trajetórias políticas, reduzindo sua dependência em relação ao governo e solidificando a vantagem dos já eleitos.
Alves argumenta que esse acúmulo de recursos e controle político pode criar um ambiente desfavorável à renovação nas eleições. “Quando há um volume tão elevado de recursos e autonomia, isso gera um risco concreto à competitividade eleitoral e à renovação dos quadros partidários”, adverte.
Distorções e Desafios na Disputa Eleitoral
De acordo com Wagner Mancuso, professor de Ciência Política da USP, esse desequilíbrio se replica dentro dos próprios partidos, especialmente na maneira como os fundos eleitoral e partidário são distribuídos. Para ele, a questão vai além do mero volume de recursos; trata-se dos impactos políticos gerados por esse modelo. “Quando grandes quantias são distribuídas sem transparência e sob forte controle de quem já está no poder, isso distorce a disputa eleitoral e dificulta a renovação política. Estamos diante de uma verdadeira ‘máquina’ de reeleição para 2026”, afirma.
