Justiça Reconhece Crise no Agronegócio
A recente decisão da Justiça de Mato Grosso em aceitar o pedido de recuperação judicial do Grupo Forte Agro, localizado em Rondonópolis, evidencia a grave crise de inadimplência que aflige o agronegócio brasileiro. Este fenômeno, acentuado por um crédito mais restrito e altos juros, tem gerado um efeito dominó prejudicial, afetando não apenas os produtores rurais, mas também as empresas que prestam serviços essenciais ao setor. A inadimplência de clientes, muitos dos quais já estão em recuperação judicial, resultou em um represamento de quase R$ 50 milhões, estrangulando o fluxo de caixa da empresa.
A situação crítica observada no setor agropecuário não é um caso isolado. Desde 2024, o número de solicitações de recuperação judicial tem aumentado consideravelmente, refletindo as dificuldades enfrentadas por diversas empresas que, num ciclo vicioso, sofrem com a inadimplência dos produtores. O juiz Renan Pereira do Nascimento, responsável pelo caso, enfatizou que fatores externos, fora do controle da administração do grupo, intensificaram a crise.
Impacto da Inadimplência no Fluxo de Caixa
O impacto da inadimplência no fluxo financeiro do Grupo Forte Agro é alarmante. O juiz reconheceu que a elevada taxa de calotes por parte de produtores causou um represamento significativo de valores, comprometendo a saúde financeira da empresa. Essa realidade revela uma armadilha: enquanto a empresa continua operando e fornecendo produtos e serviços, não consegue receber os pagamentos necessários para manter suas obrigações financeiras em dia.
Com um passivo estimado em R$ 260 milhões, a recuperação judicial não é apenas uma formalidade, mas uma necessidade emergente para reestruturar as dívidas do grupo. Entre os devedores envolvidos, estão a própria Forte Agro Ltda. e a Pró Campo Comércio de Máquinas e Equipamentos Ltda.
Ambiente Econômico Desfavorável
O cenário econômico que envolve o agronegócio brasileiro também agrava a situação. O juiz apontou a retração do crédito rural, a elevação das taxas de juros, o aumento dos custos de produção e a instabilidade no mercado como fatores contribuintes para a crise. Mesmo diante desse panorama desafiador, não houve indícios de inviabilidade operacional ou irregularidades na gestão dos negócios. Isso indica que a empresa é viável, mas está sendo severamente pressionada por um contexto de crise sistêmica.
Perícia Confirma Viabilidade do Grupo Forte Agro
A perícia realizada por um especialista judicial foi um fator decisivo no deferimento da recuperação. O laudo confirmou que o Grupo Forte Agro e seus associados estão operando de forma regular e têm a capacidade econômica de continuar suas atividades. O juiz destacou que a empresa não está inativa, mas sim enfrentando severas dificuldades financeiras que precisam ser resolvidas para garantir sua continuidade.
Consolidação Substancial e Recuperação Judicial
A Justiça também determinou a consolidação substancial entre os devedores, reconhecendo a interconexão entre as operações do grupo. Esse reconhecimento é essencial para tratar os credores de maneira justa, considerando a realidade econômica do setor. Além disso, a decisão suspendeu ações e execuções contra os devedores por um período de 180 dias, o que proporciona um fôlego necessário para a reestruturação dos negócios.
Próximos Passos na Recuperação Judicial
O Grupo Forte Agro terá um prazo de 60 dias para apresentar um plano de recuperação judicial, que será analisado por credores e pelo Judiciário. Este plano será fundamental para definir os termos de pagamento e renegociação das dívidas, além de estratégias internas para manter a operação funcionando. O sucesso dessa reestruturação dependerá da aceitação dos credores às condições propostas, o que será decisivo para a superação do momento crítico enfrentado pelo grupo.
