Expectativas sobre o Papel do PT no Governo de Ferraço
O Partido dos Trabalhadores (PT) já anunciou que estará fora do palanque de Ricardo Ferraço (MDB) nas próximas eleições para governador, especialmente por conta da candidatura própria de Helder Salomão. Contudo, antes da campanha, que acontece entre agosto e outubro, há uma importante transição política a ser observada no Espírito Santo. A partir do dia 2 de abril, Ferraço assume o governo, sucedendo Renato Casagrande (PSB). Diante disso, surge a questão: o PT terá participação na administração de Ferraço? A verdade é que a inclusão do partido no novo governo é incerta.
A situação do PT merece atenção especial nessa transição de governo. A coalizão que apoia Renato Casagrande é composta por diversos partidos, como PSB, PDT, Podemos e PP, que devem permanecer na nova gestão de forma tranquila. Entretanto, o cenário é diferente para o PT, que se vê em uma posição delicada e com a permanência incerta na administração de Ferraço.
O Compromisso do PT e a Estranha Relação com Ferraço
O compromisso político do PT se consolidou com o governo Casagrande, e essa relação não se estende a Ferraço. Nas eleições de 2022, o partido apoiou a reeleição de Casagrande e teve um papel fundamental ao retirar a candidatura de Fabiano Contarato, além de mobilizar sua militância, especialmente no segundo turno. Como contrapartida, o PT conquistou várias posições estratégicas no governo Casagrande, com destaque para a Secretaria de Estado de Esportes, atualmente liderada pelo petista José Carlos Nunes.
Desde o início do mandato, Nunes, um ex-deputado estadual e ex-presidente da CUT no Espírito Santo, ocupa essa pasta. Indicado pela deputada federal Jack Rocha, que também pertence à corrente do partido de Nunes, ele tem sido um representante ativo do PT no governo. Contudo, com a aproximação da nova gestão, Nunes terá que deixar o cargo para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa, o que pode facilitar a escolha de um novo secretário de Esportes por Ferraço, possivelmente um nome não vinculado ao PT.
Conflitos Passados e a Resistência do PT
Ao longo dos anos, as relações entre o PT e Ferraço se tornaram tensas. Um marco dessa incompatibilidade remonta a 2016, quando Ferraço, na época senador, apoiou o impeachment de Dilma Rousseff, além de ser responsável pela relatoria da reforma trabalhista que gerou forte rejeição por parte do PT e de movimentos sindicais. Em declarações recentes, Ferraço já deixou claro que não deseja associar seu nome ao PT, defendendo que o partido busque seu próprio caminho nas eleições do Espírito Santo.
Recentemente, Ferraço, junto a outros presidentes de diretórios regionais do MDB, manifestou-se contra a coligação com o PT na eleição presidencial, buscando mais autonomia para os diretórios estaduais. Com isso, a expectativa é que ele mantenha distância do partido, mesmo em sua administração.
Decisão do Diretório Estadual do PT
Com essa rejeição mútua, o PT deve se adiantar e comunicar sua decisão de não participar do governo Ferraço. Na próxima semana, o Diretório Estadual do PT, presidido por João Coser, se reunirá para deliberar sobre a situação. Dentro do diretório, que conta com 47 membros, a tendência é de que a decisão seja a de não fazer parte da nova administração, o que implicaria a entrega dos cargos atualmente ocupados por petistas.
Essa estratégia visa dar mais liberdade ao partido para conduzir sua campanha com Helder Salomão e evitar contradições em relação ao passado e à nova administração. Um dirigente do PT afirmou: “A tendência é de deixarmos o governo. Precisamos de independência para a nossa campanha”. Caso algum membro do diretório defenda o oposto, a questão será submetida a votação.
A Saída de Nunes e Possíveis Novos Nomes para a Secretaria de Esportes
Nunes confirmou sua saída para se concentrar na candidatura a deputado e ressaltou que as conversas sobre a sua sucessão na Secretaria de Esportes estão previstas com Ferraço e Casagrande. Embora ele acredite que a escolha do novo secretário pode envolver alguém próximo dele, as especulações sobre o futuro da pasta ainda são intensas.
Entre os nomes cotados para assumir a secretaria está a subsecretária de Assuntos Administrativos, Fernanda Souza, que está alinhada com a corrente de Nunes; no entanto, a rivalidade interna e a história política de Cachoeiro podem dificultar essa nomeação. Alternativamente, Carlos Germano, ex-goleiro de futebol, e Bruno Malias, vereador e ex-jogador, têm sido cogitados como potenciais candidatos. Também há a possibilidade de convidar o ex-jogador de vôlei de praia Alisson Cerutti, que se aposentou recentemente.
