Reflexões sobre o cenário político e a trajetória do Partido dos Trabalhadores
O ano de 2026 já se inicia movimentado. É um período que, além do tradicional carnaval, também marca a Copa do Mundo, um evento que aquece o coração dos brasileiros. Mas, acima de tudo, é um ano decisivo para a política nacional, já que as eleições se aproximam e trazem à tona uma série de movimentações e recados políticos. O cenário no Espírito Santo, por exemplo, levanta debates sobre o suposto isolamento do Partido dos Trabalhadores (PT) em relação a outras forças políticas da região.
Recentemente, um artigo de um portal de jornalismo independente abordou essa questão, destacando a dificuldade de diálogo que as lideranças do PT enfrentam, não só com partidos opositores, mas também com aqueles do chamado “campo progressista”. Essa situação é uma preocupação válida, uma vez que o debate político é fundamental para a democracia e para a mobilização social, especialmente em um ano eleitoral.
Como militante do PT e defensor da justiça social, sinto-me compelido a refletir sobre essas questões e a reivindicar um posicionamento mais ativo do partido capixaba. É importante ressaltar que a afirmação de que o PT se isola é, na verdade, um equívoco. Cabe lembrar que, na última eleição, a sigla teve um papel crucial ao apoiar a reeleição do governador Renato Casagrande, do PSB, ao abrir mão de lançar a candidatura do senador Fabiano Contarato, que era, à época, um forte nome na política nacional.
O Espírito Santo, que hoje é reconhecido como um estado de nota A no Tesouro Nacional, também deve sua recuperação a ações do PT. Nos anos 90 e no início dos 2000, o estado enfrentou um período sombrio, marcado por escândalos de corrupção e pela crise nas contas públicas. A mobilização de diversas forças, incluindo a Ordem dos Advogados (OAB), a Arquidiocese de Vitória e a bancada do PT, foi essencial para a criação do Fórum Permanente Contra Violência e Impunidade. Essa coalizão conseguiu dar visibilidade às graves questões sociais e políticas da época.
Na Assembleia Legislativa do Espírito Santo, a presidência do deputado Claudio Vereza, do PT, foi um marco na reconstrução do estado. O partido teve uma atuação significativa ao lado de outros parlamentares e da sociedade civil. A eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência em 2002 também foi um divisor de águas, fortalecendo a presença do PT no Espírito Santo, que viveu um auge histórico com uma intensa mobilização popular em prol do partido.
É essencial destacar que, após o auge de popularidade do PT, o partido enfrentou desafios significativos, especialmente após os eventos que culminaram no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Durante o governo de Paulo Hartung, o PT, ao se associar a um modelo que muitos consideram contrário aos seus princípios, pagou um alto preço. De uma bancada sólida de três deputados na Assembleia Legislativa, o partido viu sua representação reduzir a apenas uma deputada na legislatura seguinte.
Entretanto, novos ares começaram a soprar sobre o partido em 2020, durante a pandemia da Covid-19. O cenário eleitoral mostrou que, apesar das dificuldades, a militância e a base do PT permanecem firmes. Em 2022, Helder Salomão se destacou como o deputado federal mais votado do estado, e a eleição de Jack Rocha como a primeira deputada federal negra do Espírito Santo marca um avanço significativo para a sigla.
Com a expectativa de 2024, a pré-candidatura de Helder Salomão ao governo do estado se desponta como uma oportunidade de reposicionar o PT no cenário político capixaba. As pesquisas iniciais mostram um crescimento do seu apoio, o que tem gerado inquietação no meio político. A perspectiva de que o PT possa apresentar um projeto robusto para a sociedade capixaba é mais urgente do que nunca.
É imprescindível que o PT, ao se posicionar para as eleições, promova um debate que inclua a valorização dos serviços públicos, a preservação do meio ambiente e a defesa dos direitos humanos, além de criar políticas públicas que garantam a cidadania de todos, especialmente de grupos historicamente marginalizados. A valorização da educação pública e a criação de uma universidade estadual são pontos que devem estar na pauta do partido.
Por fim, é consenso entre muitos que o PT precisa se renovar e estar em sintonia com sua base. Essa revitalização é um passo importante para garantir que a estrela do partido continue a brilhar. “A estrela não se isola, se reinventa, para continuar a brilhar!” Essa frase pode ser um lema para os desafios que estão por vir, à medida que o PT se prepara para lutar por um futuro melhor no Espírito Santo.
