Cenário de Queda na Produção de Arroz
A safra de arroz 2025/26 deve trazer um cenário preocupante tanto para o Brasil quanto para o mercado mundial, com previsão de queda na produção. Esse será o fim de um ciclo de nove anos consecutivos de crescimento na oferta global, conforme avaliação de especialistas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). As principais razões apontadas para essa diminuição são os preços mais baixos praticados ao longo de 2025, a redução das margens de lucro dos produtores, os altos estoques acumulados e a dificuldade de acesso ao crédito rural.
Com um ambiente econômico menos favorável, os agricultores têm reavaliado suas decisões de plantio. No Brasil, espera-se que os novos dados sobre a oferta, que serão divulgados no início de 2026, confirmem a estimativa de produção inferior ao que havia sido projetado anteriormente, após ajustes na área plantada durante a safra 2025/26.
Recentemente, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) previu que a produção brasileira de arroz deve alcançar 11,17 milhões de toneladas para a safra 2025/26. Esse volume representa uma diminuição de 12,4% em relação ao ciclo anterior, refletindo tanto a diminuição da área cultivada quanto os impactos das condições econômicas sobre o planejamento dos produtores.
Impactos no Mercado Internacional
A situação de retração não se limita ao Brasil e também é observada no mercado internacional. De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção mundial de arroz beneficiado está estimada em 540,4 milhões de toneladas para a safra 2025/26, ligeiramente abaixo do volume registrado na temporada anterior. Se essa projeção se concretizar, será a primeira queda global desde a safra 2015/16.
Segundo o Cepea, a expectativa é de que a produção diminua em 10 dos 16 principais países produtores de arroz. Essa redução deve impactar a oferta global, que experimentou quase uma década de crescimento contínuo. Este novo cenário pode influenciar a dinâmica do mercado ao longo de 2026, especialmente em um contexto de custos de produção ainda elevados e uma demanda que se mantém relativamente estável.
Os números revelam um desafio significativo para os produtores, que já enfrentam um cenário de incertezas. A combinação de preços baixos e margens reduzidas pode levar a uma reavaliação das estratégias de plantio e à necessidade de adaptabilidade diante das novas condições de mercado.
