A Movimentação de Arnaldo Borgo
A política do Espírito Santo já presenciou diversas manobras táticas, mas a postura do prefeito de Vila Velha, Arnaldo Borgo (PSDB), chama atenção por sua clareza e audácia. Após o governador Renato Casagrande (PSB) nomear publicamente o vice Ricardo Ferraço (MDB) como seu sucessor, Borgo adota uma postura de estranhamento em seu próprio grupo político. Ele insiste em manter uma pré-candidatura que, desde sua origem, parece carecer de fôlego e de apoio substancial.
Dentro do grupo aliado ao governador, Borgo sempre se destacou por sua falta de lealdade política. Nunca demonstrou ter um apoio sólido ou uma base eleitoral que justifique o projeto que alega defender. Ao insistir em um discurso de independência, ele revela mais um cálculo político do que uma real convicção.
Dúvidas Sobre a Candidatura
A principal questão que paira no ar não é se ele se tornará candidato, mas sim se terá a coragem de se desincompatibilizar em abril e assumir os riscos envolvidos. As evidências sugerem que a resposta é negativa. Os números são claros: Borgo não alcança nem mesmo a metade das intenções de voto dos líderes nas pesquisas. Sua performance é fraca na Grande Vitória, inexistente no Sul e sem repercussão no Norte do Estado. Ele não construiu uma liderança estadual, não estabeleceu uma base política e não apresentou um projeto que vá além de seus próprios interesses.
Nesse contexto, sua pré-candidatura soa mais como um teste de viabilidade. Trata-se de um ativo colocado em leilão, onde quem oferecer mais leva. Seja um cargo de vice, uma secretaria estratégica ou acordos que garantam sua sobrevivência política, é a velha política de barganha disfarçada de debate democrático.
Os Riscos do Jogo Político
Esse jogo é arriscado. A indeterminação de Borgo pode resultar em um alto custo político. Ao tentar flertar com várias correntes, ele não se compromete com ninguém. Age como se fosse um pêndulo no relógio eleitoral, mas, na verdade, é apenas um espectador de um processo que já está com seu rumo traçado. A falta de autocrítica é visível, enquanto a arrogância se sobressai em sua atuação.
O que se observa é um despreparo político, aliado a um comportamento de alguém que não aceita bem as frustrações, alimentado por um narcisismo que ignora a realidade. Na política, aqueles que confundem ambições pessoais com objetivos coletivos costumam pagar um preço alto. E o tempo eleitoral, esse não dá chance para leiloeiros.
