Como a Inteligência Artificial Pode Transformar o Cenário Empresarial
No atual contexto econômico, a Inteligência Artificial (IA) se destaca como um agente pessoal crucial, capaz de acessar diversos aplicativos e realizar tarefas através de comandos de texto ou voz. Se essa tendência se consolidar, a experiência do usuário, há muito tempo aprimorada pelas empresas, poderá se tornar secundária durante o processo de compra. Nesse cenário, as recomendações geradas por IA podem se tornar o principal fator decisivo para os consumidores, superando os canais de venda e comunicação tradicionais.
Mas será que as empresas estão preparadas para essa nova realidade? Elas já consideraram a possibilidade de tal transformação ocorrer e estão cientes de como incluir múltiplas incertezas em seus planejamentos estratégicos para os próximos anos? O planejamento convencional, que se baseia em previsões e dados históricos, mostra-se eficaz em cenários estáveis e de baixa complexidade, como em operações industriais ou setores comerciais.
No entanto, na esfera do planejamento estratégico, a quantidade de variáveis a serem consideradas torna extremamente difícil a tarefa de prever resultados. Eventos disruptivos como a pandemia, conflitos internacionais e mudanças súbitas nas regras comerciais, como a nova taxação imposta pelo governo dos Estados Unidos, têm mostrado que a previsibilidade pode ser enganosa. Embora as previsões possam oferecer um conforto psicológico para os gestores, em um mundo cada vez mais volátil, essa sensação de segurança acaba se revelando uma ilusão.
Foresight: O Planejamento para o Futuro Desconhecido
É nessa lacuna que surge um conceito de planejamento que ainda é pouco explorado pelas empresas: o foresight. Ao contrário do forecast, que limita o planejador a cenários prováveis, o foresight permite a exploração de futuros que ainda não são visíveis e a identificação de oportunidades que só existem em cenários imagináveis. Enquanto o planejamento baseado em histórico opera no âmbito do ‘eu sei que sei’ e, em parte, no ‘eu sei que não sei’, ele falha nos casos do ‘eu não sei que não sei’.
Portanto, o planejamento foresight se destaca nesse campo, preparando as empresas para o inesperado e protegendo-as contra futuros moldados por concorrentes ou agentes com interesses divergentes. A OpenAI, por exemplo, desafiou a visão tradicional de que a IA seria apenas uma ferramenta de automação interna, ao antecipar a transição para interfaces conversacionais, estabelecendo um novo modelo de interação entre humanos e máquinas. Dessa forma, a empresa posicionou-se na vanguarda, desenvolvendo produtos que influenciaram o comportamento do mercado antes mesmo de ele estar totalmente preparado para essa mudança.
Do Planejamento Reativo à Criação de Futuros
O modelo tradicional de planejamento estratégico, que considera um número restrito de cenários prováveis e responde às mudanças do ambiente externo, já não é suficiente para a realidade atual. O planejamento estratégico deve ser um momento de construção de visões de futuro, onde as empresas definem onde desejam estar e traçam caminhos claros para alcançar seus objetivos. Para que isso se concretize, é essencial integrar o foresight à estratégia, passando a criar futuros em vez de apenas reagir a eles.
Como bem disse Peter Drucker: ‘A melhor forma de prever o futuro é criá-lo’. Portanto, as empresas que desejam se destacar e prosperar em um ambiente de constantes mudanças devem adotar uma abordagem proativa e inovadora. O futuro é incerto, mas com a estratégia correta, é possível moldá-lo de acordo com as próprias necessidades e aspirações.
