Fortalecimento da Cooperação Bilateral
O secretário-executivo adjunto do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Cleber Soares, e o vice-ministro do Ministério da Agricultura e Pecuária da Costa Rica (MAG), Fernando Vargas, se reuniram para discutir o avanço da parceria entre os dois países no setor agropecuário. O foco da agenda está em promover a sustentabilidade, bioinsumos, inovação tecnológica, intercâmbio de material genético e financiamento da agricultura com baixa emissão de carbono.
Durante o encontro, a Costa Rica apresentou os progressos realizados na implementação de sua Estratégia Nacional de Bioinsumos, que se inspira na experiência brasileira. O objetivo é reduzir o uso de insumos químicos na agricultura, aproveitando a expertise do Brasil em registro, validação científica e aplicação de bioinsumos em larga escala.
Compartilhamento de Tecnologias e Resultados Sustentáveis
A delegação brasileira teve a oportunidade de compartilhar os resultados do Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), que desde 2010 possibilitou a adoção de práticas sustentáveis em mais de 50 milhões de hectares, resultando na mitigação de aproximadamente 60 milhões de toneladas de CO₂. O Brasil se comprometeu a continuar oferecendo metodologias e boas práticas que auxiliarão as metas da Costa Rica.
Outro ponto discutido foi o interesse do Instituto Nacional de Inovação e Transferência em Tecnologia Agropecuária (INTA) da Costa Rica em trocar material genético animal e vegetal com o Brasil. A delegação brasileira se mostrou favorável à iniciativa, enfatizando a necessidade de melhorias nos protocolos sanitários para garantir um intercâmbio seguro entre os dois países.
Inovações Digitais em Foco
A Costa Rica também manifestou interesse em explorar tecnologias brasileiras voltadas para a agricultura digital, como drones, estações meteorológicas e ferramentas de monitoramento climático, que são fundamentais para a extensão rural.
No âmbito da sanidade animal, o encontro abordou temas prioritários da agenda bilateral, incluindo uma auditoria destinada à habilitação de estabelecimentos brasileiros. Além disso, as delegações discutiram maneiras de fortalecer a cooperação institucional entre o Mapa e o Serviço Nacional de Saúde Animal da Costa Rica (Senasa).
Financiamento de Práticas Sustentáveis
A Costa Rica também apresentou seu novo programa nacional inspirado no ABC, que visa apoiar produtores que adotem práticas sustentáveis, começando pelo setor de pecuária, café e cana-de-açúcar. O evento contou com a participação de diversas autoridades, incluindo a encarregada de negócios da Embaixada do Brasil em San José, Maria Aparecida Weiss, e representações de diferentes órgãos e instituições.
Contexto Econômico e Participação no IICA
A Costa Rica, com uma população de aproximadamente 5,1 milhões de habitantes e um PIB estimado em US$ 64,3 bilhões, apresenta um setor agrícola significativo, sendo o segundo maior gerador de divisas do país. Recentemente, o Brasil também participou da posse de Muhammad Ibrahim como novo diretor-geral do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), reforçando o compromisso com a cooperação agrícola nas Américas.
Durante a cerimônia, que contou com a presença de ministros da agricultura de mais de 30 países, o secretário-executivo adjunto do Mapa, Cleber Soares, oficializou a posse do novo dirigente. A delegação brasileira discutiu com Ibrahim as prioridades e diretrizes para a cooperação com o IICA, buscando fortalecer áreas como sustentabilidade e inovação no setor agropecuário.
Perspectivas Futuras
O IICA, como organismo prioritário para o desenvolvimento agrícola nas Américas, tem o papel de apoiar os governos na formulação de políticas públicas voltadas para um setor agrícola mais inovador e sustentável. Com a presidência da Junta Interamericana de Agricultura (JIA) assumida pelo Brasil, o país se comprometeu em liderar as deliberações e a agenda de cooperação agrícola na região.
Por meio de iniciativas como essas, Brasil e Costa Rica demonstram que a cooperação e o compartilhamento de conhecimento são fundamentais para o avanço do agronegócio, trazendo benefícios não apenas para as economias locais, mas também para a segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável na região.
