A Importância da Comunicação nas Transformações Urbanas
Imagine que você ocupa o cargo de prefeito e precisa fechar uma avenida crucial por um período de seis meses para a execução de obras. Como você vai comunicar essa situação?
Uma opção seria simplesmente informar sobre a interdição, indicar alternativas de rotas e pedir desculpas pelos transtornos causados. Por outro lado, você poderia apresentar a situação como uma oportunidade de construção de uma cidade melhor, explicando os benefícios que virão após a conclusão das obras. Qual dessas abordagens tende a gerar menos revolta?
A diferença entre resistência e aceitação muitas vezes reside na narrativa utilizada. Não é apenas a ação em si, mas a maneira como se explica o que está sendo feito.
O Exemplo de Paris
Paris compreendeu esse conceito de forma exemplar. Quando decidiu promover uma revolução na mobilidade urbana, criando zonas de pedestres e restringindo o tráfego de veículos, a cidade não enfatizou o que seria perdido. Em vez disso, focou no que os cidadãos ganhariam com as mudanças.
Ao invés de anunciar ruas fechadas para carros, a comunicação destacava ruas abertas para as pessoas. Em vez de listar as restrições impostas, foi apresentado um plano ambicioso: a meta era transformar Paris na cidade dos pedestres. A história foi contada sob um grande guarda-chuva, apresentando uma visão futura.
O “Plano Peatonal” de Paris promete um investimento de trezentos milhões de euros, visando criar cem hectares de novos espaços pedestres, além de cem ruas mais seguras para crianças, com a ambição de zero acidentes. O foco, portanto, estava nos benefícios para a população, não nas desvantagens para um grupo específico.
Reações e Aceitação
Naturalmente, motoristas expressaram descontentamento. Sempre haverá críticas. Contudo, a maioria da população entendeu a razão por trás das mudanças. A narrativa não se centrava em tirar algo de alguém, mas em construir algo vantajoso para todos.
Agora, como nossas cidades no Espírito Santo, como Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica, estão comunicando suas transformações urbanas?
Quando uma rua é fechada para obras, qual narrativa está sendo utilizada? O foco é no transtorno que isso causa ou nos benefícios que surgirão no futuro? Ao se criar uma ciclovia, a comunicação enfatiza o espaço que será perdido pelos carros ou a promoção de uma cidade mais saudável que está sendo construída?
A Comunicação como Estratégia
A comunicação urbana não pode ser vista como um elemento secundário. É, na verdade, uma estratégia fundamental. A maneira como se comunica a transformação das cidades pode determinar se a população irá apoiar ou enfrentar as mudanças.
Paris demonstrou que essa abordagem é eficaz. A cidade vendeu uma narrativa de futuro, em vez de impor uma lista de proibições. O foco foi direcionado para aqueles que sairiam ganhando, e não para os que se sentiriam prejudicados. E, no caso das cidades capixabas, será que estão aprendendo essa valiosa lição ou ainda se comunicam as mudanças como quem pede desculpas?
