Novas Trocas Ministeriais à Vista
O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, anunciou sua saída do Ministério da Justiça e Segurança Pública, somando 15 trocas de ministros no governo Lula. A sua decisão foi impulsionada pelas discussões, que ele considerou “irracionais”, sobre segurança pública, especialmente em um ano eleitoral que se promete conturbado. Além disso, Lewandowski enfrentou dificuldades com a Casa Civil, que barrou por meses projetos críticos enviados por sua pasta.
Enquanto a escolha do novo ministro não é definida, Manoel Carlos de Almeida Neto, secretário-executivo do Ministério da Justiça, assume interinamente a posição. De acordo com informações da Coluna do Estadão, assessores de Lula revelaram que ele busca um perfil semelhante ao do seu antecessor, Flávio Dino, que atualmente ocupa uma vaga no STF.
Contexto das Recentes Mudanças
O Partido dos Trabalhadores (PT) está respaldando o nome de Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, como potencial substituto para a Justiça. Essa movimentação se insere em um cenário de contínuas alterações ministeriais que têm caracterizado o governo Lula desde o seu retorno ao poder.
Entre as demissões notáveis, em dezembro de 2025, Lula dispensou o ministro do Turismo, Celso Sabino, que foi expulso do União Brasil por desobedecer a ordens para deixar o cargo. Em resposta, o presidente buscou agradar a ala governista do União Brasil, visando garantir apoio para sua candidatura em 2026. Gustavo Feliciano, ex-integrante do partido, foi nomeado para o ministério.
Desafios e Novos Caminhos
Outra troca significativa ocorreu na Secretaria-Geral da Presidência, onde Márcio Macêdo foi substituído pelo deputado Guilherme Boulos do PSOL, um movimento que reflete a tentativa do governo de reaproximar-se de setores progressistas, especialmente após romper com uma parte do Centrão. Boulos agora é responsável por fortalecer a relação do Palácio do Planalto com movimentos sociais, em um cenário de crescente insatisfação popular.
Em um cenário ainda mais polêmico, Cida Gonçalves foi demitida do cargo de ministra das Mulheres em maio de 2025, após denúncias de assédio moral e xenofobia. A ex-ministra do Desenvolvimento Social, Márcia Lopes, ocupou seu lugar, trazendo uma nova perspectiva para as questões de gênero.
Denúncias e Pressões
A crise que envolveu Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência Social, resultou em sua saída em maio de 2025, após uma série de denúncias de fraudes relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Com a pressão crescente da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, Wolney Queiroz, vice-ministro, assumiu a pasta.
No campo das Comunicações, Juscelino Filho pediu demissão em abril de 2025, após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República ao STF por suposto desvio de verbas. Frederico Siqueira Filho foi nomeado como seu sucessor, depois de Pedro Lucas Fernandes rejeitar o convite para o cargo.
Reformulação Estratégica
Outras mudanças no gabinete incluíram a entrada de Gleisi Hoffmann na Secretaria de Relações Institucionais, substituindo Alexandre Padilha, que por sua vez assumiu o Ministério da Saúde após a saída de Nísia Trindade, a terceira mulher a deixar a Esplanada, uma situação que levantou preocupações sobre a representação feminina no governo.
O capitão Sidônio Palmeira foi nomeado para a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, encarregado de revitalizar a imagem do governo, enquanto Macaé Evaristo assumiu o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania após a demissão de Silvio Almeida, que enfrentou denúncias de assédio. Essas trocas refletem uma dinâmica complexa de alianças e disputas dentro da base governista.
A saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública, além de ser um indicativo das dificuldades enfrentadas por Lula em consolidar sua equipe, também levanta questões sobre a eficácia e a direção das políticas de segurança pública em um período crítico.
