A Luta por Justiça
O advogado da família de José Arthur, Maurício Wernersbach Chaves, reafirmou a determinação da família em esclarecer as circunstâncias que cercam a morte do jovem. “O que desejamos é que todos conheçam quem foi realmente José Arthur: um jovem trabalhador, estudante universitário e sem qualquer histórico criminal”, destacou.
A defesa da família também emitiu uma nota oficial, clamando por respeito à memória de José Arthur e pedindo cautela na divulgação de informações relacionadas ao caso. “Neste momento, a família pede que não haja juízos precipitados e que a investigação ocorra de maneira transparente e isenta”, diz o texto enviado.
Entenda o Caso
O caso trágico ocorreu na manhã de segunda-feira, 5 de fevereiro, quando José Arthur foi baleado pelo próprio primo, um soldado da Polícia Militar, durante uma briga dentro da casa da família, localizada no bairro Ilha dos Bentos, em Vila Velha. De acordo com relatos, a tensão começou no domingo anterior, quando o jovem foi detido pela Guarda Municipal, em meio a uma confusão que envolvia disparos de rojões em uma distribuidora de bebidas.
A mãe do rapaz, em desabafo, explicou que a detenção foi um mal-entendido. “Trataram meu filho como um criminoso, quando na verdade ele estava apenas presente em uma situação confusa envolvendo rojões. Ele foi levado, mas liberado no mesmo dia”, relatou.
Embora a Polícia Civil tenha informado que José Arthur foi autuado em flagrante por tentativa de lesão corporal e ameaça, a família afirmou que foi apenas um mal-entendido. Depois de ser liberado, a família sugeriu que o jovem não retornasse para casa, onde além do primo, também residiam outros familiares com vínculos militares.
Contudo, testemunhas relataram que José Arthur tentou entrar em casa durante a madrugada sem sucesso. Na manhã seguinte, ao retornar, ele alegou que iria buscar uma bicicleta e outros pertences pessoais, mas acabou se envolvendo em uma discussão.
Conflito e Consequência Fatal
Durante a altercação, o primo soldado pediu auxílio ao pai, que é sargento e estava de plantão. Ao chegar na residência, o sargento tentou acalmar a situação, mas a discussão entre os dois se intensificou. Segundo relatos, José Arthur desferiu um soco no peito do tio, dando início a uma luta corporal.
O soldado, alegando temer pela segurança e a possibilidade de que o primo conseguisse tomar sua arma durante o confronto, disparou um tiro que atingiu a perna esquerda de José Arthur. O jovem foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado ao Hospital Antônio Bezerra de Faria, mas não sobreviveu ao ferimento.
Como parte do procedimento padrão, a arma do soldado foi apreendida pela Polícia Militar, que instaurou um inquérito para apurar a conduta dos policiais envolvidos. A família de José Arthur, que tem um histórico familiar de militares, está acompanhando de perto todos os desdobramentos do caso.
A mãe do jovem estava em uma viagem pela Bahia quando recebeu a notícia trágica. O corpo de José Arthur foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Vitória para os trâmites de liberação.
Sem Autuações e enquetes em curso
Tanto o sargento quanto o soldado, tio e primo de José Arthur, foram levados à delegacia, mas não acabaram sendo autuados. Informações sobre a conduta dos dois policiais ainda não foram divulgadas, e o caso permanece sob investigação.
A Associação dos Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiro Militar do Espírito Santo expressou suas condolências e está monitorando a situação. Reportagens estão sendo realizadas para encontrar os policiais envolvidos, mas até o momento, não houve sucesso.
A defesa da família reiterou sua confiança nas instituições e na Justiça, afirmando que acompanhará de perto todas as fases da investigação. Na nota enviada, a família de José Arthur enfatizou a necessidade de uma apuração rigorosa com base em provas objetivas e laudos periciais.
“José Arthur não buscava conflitos e foi surpreendido por uma sucessão de eventos que resultaram em sua morte. Pedimos respeito à sua memória e um tratamento cuidadoso das informações que circulam”, concluiu a defesa.
