Apoio Político em Tempos de Crise
Em meio a investigações que envolvem seu filho, Lulinha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu que a Polícia Federal está livre para conduzir suas investigações. “Importante destacar que o presidente Lula deixa a Polícia Federal investigar”, declarou uma fonte próxima a Lulinha em entrevista ao g1. Essa defesa tem sido repetida por diversos políticos aliados ao governo, que buscam demarcar um contraste entre Lula e seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL).
Quando questionado sobre as suspeitas que pairam sobre Lulinha, um deputado do PT argumentou que, ao contrário do governo anterior, onde o presidente “trocava delegados da Polícia Federal para proteger sua família”, Lula se mostra transparente ao permitir a investigação. Essa postura, segundo os aliados, reflete um compromisso com a legalidade e a ética no governo.
A pressão sobre o governo aumentou após a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha, que ocorreu em uma sessão tumultuada da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no INSS. O advogado de Lulinha, Guilherme Suguimori Santos, se manifestou, afirmando que solicitou acesso ao inquérito devido à “incessante campanha midiática que tem divulgado dados parciais e sigilosos” relacionados às investigações.
Quebra de Sigilos e Implicações
A quebra de sigilos foi formalizada na quinta-feira (26) e está gerando debates acalorados entre os membros da base governista. A CPMI tomou essa decisão em uma sessão agitada, e informações que surgiram após a reunião indicam que o ministro Mendonça já havia autorizado as quebras de sigilo em janeiro, após um pedido da PF.
As acusações contra Lulinha estão ligadas a um dos principais lobistas do esquema de fraude no INSS, Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca, e à empresária Roberta Luchsinger, de São Paulo. De acordo com investigações, a PF identificou cinco pagamentos de R$ 300 mil feitos de uma empresa ligada ao Careca para a empresa de Roberta, totalizando R$ 1,5 milhão. A suspeita é que esses valores tenham sido desviados de aposentadorias.
Mensagens de WhatsApp entre Careca e um ex-sócio revelaram que o lobista questionava um pagamento de R$ 300 mil feito para Roberta, afirmando que o montante era “para o filho do rapaz”. Essa informação levantou questionamentos sobre a possível ligação do pagamento a Lulinha. Um ex-funcionário do Careca alegou, em depoimento à PF, que o lobista afirmava que pagava uma mesada de R$ 300 mil a Lulinha, com o intuito de que ele ajudasse a vender produtos de canabidiol para o Ministério da Saúde.
Amizades e Defesas
Algumas testemunhas que conhecem Lulinha e Roberta também afirmaram que Lulinha é amigo próximo da empresária. Entre as mensagens encontradas, Roberta mencionou um envelope com o nome de “Fábio” que foi apreendido durante uma ação da PF, gerando ainda mais desconfiança. A defesa alega que essas mensagens não têm relação direta com as acusações contra Lulinha.
Um amigo de Lulinha ressalta que ele considera improvável a afirmação de que o Careca teria falado sobre pagamentos a ele. Além disso, as defesas de Lulinha e Roberta negam que tenha havido qualquer transação ilegal. O advogado Marco Aurélio Carvalho, que já defendeu Lulinha em outros casos, enfatiza que ele foi alvo de informações falsas anteriormente, incluindo rumores sobre a posse de bens de luxo que nunca foram verdadeiros.
Por sua vez, Bruno Salles, advogado de Roberta Luchsinger, confirmou que ela recebeu pagamentos do Careca, mas afirmou que os valores eram legais e não foram destinados a Lulinha. Segundo ele, a acusação apresenta grandes contradições, uma vez que a defesa de Roberta demonstra que os serviços prestados estavam dentro da legalidade, como idas ao Ministério da Saúde para discutir regulamentação da cannabis medicinal.
As investigações ainda estão em andamento e seguem sob sigilo, enquanto a defesa continua a contestar as alegações e a natureza da relação entre os acusados.
