Uma Nova Perspectiva Cultural
A entrega do material intitulado “Construção e Produção da Programação Artística e Cultural da 4ª Conferência Nacional de Cultura (CNC): um relato cartográfico das experiências artísticas e culturais” representa um marco importante no legado da maior Conferência Nacional de Cultura já realizada no Brasil. Essa publicação, elaborada pelo Centro Editorial e Gráfico (Cegraf) da Universidade Federal de Goiás (UFG), foi oficialmente apresentada ao Ministério da Cultura (MinC) em um evento realizado na Reitoria da universidade, em Goiânia, na última quarta-feira, dia 7.
O catálogo não apenas documenta a concepção, curadoria e produção da programação artística e cultural da 4ª CNC, que ocorreu em março de 2024 em Brasília, mas também se posiciona como um importante documento político, simbólico e metodológico. O material reafirma a cultura como um direito constitucional, um pilar da prática democrática e uma linguagem fundamental na criação de políticas públicas.
Diálogo entre Estado e Sociedade
Em um texto incluído na publicação, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, sublinha que a 4ª Conferência Nacional de Cultura foi a maior de sua história. Segundo ela, o evento simboliza a retomada da comunicação entre o Estado e a sociedade civil, após uma interrupção de dez anos. “Este encontro reafirma o compromisso do Governo Federal com a cultura como um direito constitucional e uma ferramenta vital para a inclusão social e o fortalecimento da democracia”, afirma a ministra.
Durante a cerimônia de entrega, a reitora da UFG, Angelita Pereira de Lima, ressalta a importância da universidade pública na construção coletiva da Conferência e na valorização da diversidade cultural brasileira. “Esse trabalho é um testemunho da qualidade e grandeza da UFG”, declarou. Para ela, a 4ª CNC foi “uma celebração de cores, diversidade e representatividade”, resultante da força da diversidade cultural e da colaboração entre diferentes saberes, territórios e gerações.
Valorização da Cultura Brasileira
Angelita também enfatizou que a programação artística foi concebida em resposta à necessidade urgente de resgatar as memórias culturais do Brasil e princípios fundamentais, como democracia e direitos humanos. “Reunir diversidades e estabelecer conexões entre saberes é um desafio, mas a UFG se orgulha de assumir essa responsabilidade”, completou, destacando o papel da Escola de Música e Artes Cênicas (EMAC/UFG) como curadora e executora da programação artística da conferência.
O diretor do Sistema Nacional de Cultura (SNC) do MinC, Lindivaldo Oliveira Leite Junior, que representou o ministério na entrega, celebrou a publicação e enfatizou a relevância de registrar os processos artísticos e culturais nas políticas públicas. Segundo ele, a programação artística da 4ª CNC foi projetada como parte essencial do debate político e da consolidação do Sistema Nacional de Cultura, especialmente em relação à participação social e à diversidade. “A arte não esteve apenas presente como uma expressão estética, mas como um pensamento político, democrático e inclusivo”, destacou.
Uma Produção Artística Colaborativa
A parceria entre a UFG e o Ministério da Cultura foi facilitada pela vice-diretora da EMAC/UFG, Flávia Maria Cruvinel, que também contribui com reflexões na obra. Segundo a professora, o livro representa um projeto cultural fundamentado no diálogo, na convergência e na diversidade. “O processo curatorial foi muito enriquecedor, envolvendo curadores, produtores e técnicos de várias partes do Brasil, com o objetivo de refletir as cinco regiões do país e suas respectivas culturas”, explicou. A obra é estruturada em três partes: Olhar Institucional, que inclui textos de representantes do MinC; Olhar Artístico e Cultural, que reúne reflexões sobre a curadoria; e Artistas em Ação, que documenta a programação e os profissionais envolvidos.
A publicação destaca como a programação artística da 4ª CNC foi idealizada com base em princípios como diversidade cultural, representação regional, educação e democratização do acesso à cultura. “Acredito que este material será uma contribuição valiosa para a formação de gestores, produtores e artistas, servindo como ferramenta educativa em cursos técnicos e acadêmicos”, afirma Flávia Maria Cruvinel. Ela também menciona a importância de desmistificar a ideia de que artistas não têm habilidades em gestão cultural, ressaltando que toda a cadeia de gestão e produção foi conduzida por profissionais artísticos dedicados.
Acesso e Impacto Cultural
Com uma tiragem física limitada, o livro está disponível gratuitamente em formato digital no Portal de Livros da UFG, ampliando o acesso ao conteúdo e reforçando seu caráter educativo. A publicação se consolida como uma ferramenta de memória, mobilização e inspiração para futuras iniciativas culturais em rede, destacando a cultura como um eixo central para a democracia e as transformações sociais que o Brasil almeja.
