Crescimento das LCAs no Financiamento Agropecuário
As Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) seguem a todo vapor, consolidando-se como a maior fonte de recursos privados para o financiamento das atividades agropecuárias no Brasil. Em janeiro de 2024, o estoque desses títulos atingiu impressionantes R$ 589 bilhões, refletindo um crescimento de 11% em comparação ao ano anterior. Deste montante, pelo menos R$ 353 bilhões foram reinvestidos diretamente no financiamento rural, o que representa um avanço considerável de 34% em relação ao mesmo período de 2023.
Esses dados provêm da nova edição do Boletim de Finanças Privadas do Agro, que pode ser acessado no site do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A publicação, elaborada pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário, compila informações do Banco Central do Brasil, da Comissão de Valores Mobiliários e de registradoras como B3, CERC e CRDC.
Desempenho das Cédulas de Produto Rural
Outro instrumento que ganhou destaque no crédito agropecuário foram as Cédulas de Produto Rural (CPRs), que também mostraram um desempenho positivo, com um estoque total de R$ 560 bilhões em janeiro, marcando uma alta de 17% nos últimos 12 meses. No entanto, entre julho de 2025 e janeiro de 2026, foram registradas operações de R$ 231 bilhões em CPRs, uma queda de 5% em comparação à safra anterior, apesar do volume expressivo.
Certificados de Recebíveis do Agronegócio e sua Importância
Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) mantiveram uma trajetória de crescimento, alcançando um estoque de R$ 177 bilhões, com um aumento anual de 16%. Mesmo que esses valores sejam inferiores aos das LCAs e CPRs, os CRAs desempenham um papel estratégico ao conectar as cadeias produtivas com investidores institucionais e pessoas físicas, ampliando a presença dos títulos do agronegócio no mercado de capitais.
Retração dos Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio
Por outro lado, os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCAs) enfrentaram uma queda, com um recuo de 15% na comparação anual, totalizando R$ 31 bilhões ao final de janeiro. Esses títulos são emitidos exclusivamente por cooperativas de produtores rurais ou organizações que atuam nas cadeias do agronegócio, focando no financiamento de suas operações internas.
Retorno dos Dados sobre os Fundos de Investimento no Agronegócio
A edição mais recente do boletim também trouxe de volta a divulgação de dados sobre o desempenho dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro), que havia sido suspensa em março do ano passado devido à adaptação desses fundos às novas regulamentações do Anexo VI da Resolução CVM 175. Lançados em 2021, os Fiagro alcançaram, após quatro anos de operação, um patrimônio líquido de R$ 47 bilhões em dezembro de 2025, distribuídos entre 256 fundos ativos.
