Obra que Revive Memórias Urbanas
Na próxima quarta-feira, dia 29, às 19 horas, a Casa da Memória, localizada na Prainha em Vila Velha, será o palco do lançamento do livro “contos Esquecidos da Casa da Memória”. Assinada pelo jornalista Luiz Eduardo Neves, a obra reúne seis contos que buscam construir mitologias a partir de espaços, episódios e personagens intimamente ligados à cidade. Este evento ocorre no próprio local que inspira as narrativas apresentadas.
A Casa da Memória se estabelece como o eixo central das histórias, conectando passado e presente. O autor articula episódios históricos da ocupação do território e do processo de urbanização, enquanto o título do livro expande o conceito de “casa”, refletindo sobre a memória coletiva da cidade.
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Os contos exploram referências locais, como a Prainha, os mangues e os canais urbanos, além da emblemática construção da Terceira Ponte. Em “O Homem Vala”, a urbanização e a utilização dos canais se entrelaçam com a criação de uma entidade que personifica os resíduos gerados pela cidade. Por sua vez, “Trinta-réis-de-bando” narra a construção da ponte sob a perspectiva dos trabalhadores, revelando o impacto humano que essa obra monumental trouxe à população.
A Memória como Leitmotiv
O fio condutor da obra é a complexa relação entre memória e esquecimento. No conto “Onde o tempo volta porque nunca foi embora”, a Casa da Memória é descrita como um espaço carregado de história e camadas de uso. Já em “O que quer o riso”, a repetição de uma personagem sugere narrativas que permanecem à margem dos registros formais, ressaltando a riqueza da oralidade e das histórias não contadas.
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A estrutura dos contos é fragmentada, alternando vozes e incorporando elementos ficcionais, como trechos de jornais e depoimentos, criando uma dinâmica que foge à linearidade tradicional. Essa escolha estilística oferece ao leitor uma experiência diversificada e intrigante.
Luiz Eduardo Neves compartilha que a transição para a literatura marca uma mudança significativa em sua trajetória profissional. “Enquanto no jornalismo e na pesquisa acadêmica o foco está no método, na verificação e nos dados, a literatura possibilita um espaço onde a imaginação, o ritmo e a construção simbólica podem florescer. O conto permite recortes e a síntese de sentidos que fogem do convencional”, explica o autor.
Mitologias Urbanas e Identidade Coletiva
De acordo com Neves, a criação de mitologias é um dos pilares que sustentam seu livro. “Cada cidade edifica sua identidade por meio das histórias que circulam além dos registros oficiais. A criação de mitos organiza as experiências coletivas e dá significado a aspectos que muitas vezes ficam invisíveis na narrativa histórica formal”, afirma.
“Contos Esquecidos da Casa da Memória” representa a estreia de Luiz Eduardo Neves na literatura. Com uma carreira sólida como jornalista, pesquisador e professor universitário, ele já se destacou em diversas áreas, incluindo rádio, publicidade e projetos culturais. Este projeto foi viabilizado através do Edital Fundo a Fundo, uma parceria entre a Prefeitura de Vila Velha, Funcultura e a Secretaria da cultura do Estado do Espírito Santo (Secult/ES).
