Integração como Chave para o Futuro do Agronegócio
No dia 2 de março, aconteceu em São Paulo o Fórum Integração e Biocompetitividade: A Solução Brasileira, um evento promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e pela Rede ILPF. O encontro reuniu autoridades, lideranças, empresários, pesquisadores e profissionais do setor, todos focados em debater como a integração produtiva pode ser a solução para aumentar a biocompetitividade e a sustentabilidade no agronegócio.
Segundo Luiz Carlos Corrêa Carvalho, vice-presidente da ABAG, o progresso da biocompetitividade é diretamente ligado à integração entre as cadeias produtivas e os protagonistas do agronegócio. “A biocompetitividade surge como uma consequência natural de um sistema que é integrado, científico e bem estruturado. O agronegócio brasileiro vive uma nova era que demanda preparo técnico, inovação e um sistema financeiro que esteja alinhado às necessidades do campo”, afirmou Carvalho.
Ele enfatizou a importância de conectar os elos produtivos para consolidar um novo ciclo de crescimento sustentável: “Sistemas integrados são essenciais para assegurar escala, sustentabilidade e competitividade ao Brasil”.
Oportunidades para Todos os Produtores com o Sistema ILPF
No painel sobre Modelos Produtivos Integrados, o professor Neimar Nagano, da Universidade do Oeste Paulista, apontou que o Sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) é viável para propriedades de todos os tamanhos. “A ILPF é acessível a todos — pequenos, médios e grandes produtores”, garantiu.
Nagano lidera o projeto Pequena Propriedade Produtiva Sustentável (PPPS), que busca capacitar e fornecer tecnologia a produtores do Pontal do Paranapanema, focando na diversificação de renda e uso eficiente da terra. O painel, moderado por Camila Leonelli, da Syngenta, também apresentou a história de sucesso de Flávia Garcia, da Fazenda Jacaratiá, que integrou a pecuária com o cultivo de plantas medicinais e a criação de uma microdestilaria de óleos essenciais.
João Brunelli Jr., da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, acrescentou que cada propriedade possui características únicas, e a assistência técnica deve ser adaptada às particularidades de cada produtor.
Integração Agroindustrial e Acesso ao Crédito como Potencializadores
O painel sobre Integração Agroindustrial trouxe à tona a relevância da combinação entre indústria e acesso ao crédito para impulsionar a competitividade do agronegócio. Luiz Carlos Corrêa Carvalho defendeu a inclusão da agroindústria no modelo ILPF: “É essencial integrar a indústria ao processo produtivo para reforçar a biocompetitividade”, enfatizou.
Walmir Segatto, presidente da Credicitrus, destacou a importância da eficiência financeira, mencionando que “a eficiência nas operações financeiras gera margens de lucro que podem cobrir despesas. O cooperativismo tem se mostrado um vetor crucial desse ciclo produtivo positivo”.
Álvaro Duarte, diretor-presidente da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio, ressaltou a necessidade de unir financiamento estruturado, empresas e políticas públicas para acelerar o desenvolvimento tecnológico no campo. “A integração entre pesquisa e empresas cria ambientes colaborativos que promovem tecnologias aplicadas à agricultura e à pecuária”, detalhou.
A Governança e a Sustentabilidade como Pilares do Futuro do Agronegócio
No painel Escala, Sustentabilidade e Oportunidade, foi discutido o papel da governança e da gestão sustentável nos negócios rurais. Juliana Cibim, sócia da Environmental Resources Management Brasil, destacou que a governança é fundamental para o desenvolvimento sustentável. “A gestão da sustentabilidade precisa estar robusta dentro do negócio, especialmente em tempos de incertezas”, afirmou.
Victor Bachega, superintendente de agronegócios do Banco Bradesco, também enfatizou a importância de um crédito rural estruturado e estratégico, salientando o potencial do Brasil em se tornar líder na segurança alimentar mundial.
Rui Rosa, diretor executivo da Rede ILPF, comentou sobre a articulação institucional que uniu a Embrapa, empresas e centros de pesquisa na consolidação do programa. “A integração gera resultados concretos, minimiza riscos econômicos, melhora o IDH regional e diversifica as atividades produtivas”, afirmou.
Por fim, Eduardo Bastos, da CCarbon/USP, concluiu que o crescimento do agronegócio brasileiro será alcançado por meio de práticas sustentáveis. “O setor está em crescimento, mas as emissões não seguirão o mesmo caminho, graças a soluções como o ILPF, que aumentam a matéria orgânica do solo e sequestram carbono”, encerrou.
