Transformação Econômica Através da Infraestrutura
O Espírito Santo vive um novo ciclo econômico, assinalado durante o painel “Investimento e Infraestrutura”, realizado na última quinta-feira (12) no Data Business Real Estate, na Fucape Business School. Sob a mediação de Mateus Neiva, diretor de Properties de Real Estate da Apex, o encontro reuniu líderes do governo e representantes do setor produtivo. O debate ressaltou que a combinação de obras logísticas, equilíbrio fiscal e planejamento a longo prazo está promovendo um impacto significativo tanto na economia quanto no mercado imobiliário capixaba.
A diretora-presidente da NOVA ES, Patrícia Gouvea, destacou que os investimentos em infraestrutura estão mudando a lógica de ocupação do território. “O aumento nas áreas de energia, gás, portos e aeroportos está redesenhando o mapa da demanda e gerando novos impulsos de crescimento e valorização do mercado imobiliário”, afirmou. Gouvea também mencionou que a nova agência já conta com 28 potenciais investidores e um pipeline de investimentos próximo de R$ 5 bilhões.
Ela enfatizou que o Estado está se afastando da dependência de incentivos fiscais. “Deixamos de competir apenas por incentivos e passamos a ser competitivos por nossas próprias vantagens, como infraestrutura, logística e um ambiente de negócios favorável”, declarou.
Um Novo Momento para o Estado
O diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves, Pablo Lira, corroborou com essa análise, afirmando que “o Espírito Santo está vivendo seu melhor momento econômico e social desde a redemocratização”. Lira explicou que o Estado tem construído bases para um novo ciclo econômico sustentado por um planejamento sólido e o equilíbrio das contas públicas. “Aqueles que planejam têm um futuro garantido. Somos o único estado que possui um plano de desenvolvimento de longo prazo e contas equilibradas desde 2012”, comentou, mencionando uma previsão de crescimento industrial superior a 11% até 2025, além de novos projetos logísticos e industriais.
O mercado imobiliário está se destacando como um dos principais beneficiados por este novo cenário. Alexandre Schubert, presidente da Ademi-ES, afirmou que a segurança institucional do Estado é atrativa para os investidores: “O dinheiro é capaz de lidar com riscos, mas não tolera incertezas”. Ele destacou que os investimentos em infraestrutura criam novos eixos urbanos e exigem um planejamento cuidadoso. “Nossos projetos começam em um Brasil e terminam em outro. Precisamos compreender como a sociedade irá consumir essas áreas urbanas no futuro”, observou. Apesar das altas taxas de juros, Schubert é otimista e acredita que “2025 será melhor que 2024. O mercado imobiliário, afinal, é resiliente”.
Desafios e Necessidade de Agilidade no Setor Imobiliário
O presidente do Sinduscon, Douglas Vaz, também compartilhou sua visão, reconhecendo os desafios operacionais enfrentados pelo mercado imobiliário. “Estamos como equilibristas tentando sobreviver em um cenário com juros próximos de 15%”, disse ele, ao mencionar questões como custos, mão de obra e burocracia. Vaz fez um apelo por uma maior integração entre os setores público e privado, afirmando que embora queiram cumprir a legislação, é necessária mais agilidade nos processos. “A infraestrutura deve acompanhar o crescimento, ou haverá estrangulamento”, alertou.
No fechamento do painel, o consenso entre os participantes era de que o crescimento atual é estrutural e fundamentado em políticas de longo prazo. As obras logísticas, a expansão industrial e o equilíbrio fiscal estão formando a base para atrair novos investimentos e gerar empregos. Como sintetizou Pablo Lira, “o Estado fez o dever de casa e agora começa a colher os frutos”, enquanto Patrícia Gouvea ressaltou a importância desse avanço. “A infraestrutura se tornou a nova vantagem competitiva do Espírito Santo”.
