Escolha do Novo Diretor do BC
Apesar da indicação feita pelo ministro Fernando Haddad, a responsabilidade de escolher o novo diretor do Banco Central (BC) recai sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa escolha será seguida de uma sabatina e votação no Senado. Atualmente, existem duas vagas abertas na instituição, uma delas na Diretoria de Política Econômica, que desempenha um papel crucial ao fornecer a base técnica para as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) relacionadas à Selic, além de atuar na comunicação das diretrizes da política monetária. A outra vaga é na Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e Resolução.
Em uma entrevista recente, Mello, secretário de Política Econômica da Fazenda, apresentou as previsões do governo para indicadores macroeconômicos, como Produto Interno Bruto (PIB) e inflação. Ele destacou que, de acordo com os dados do Executivo, existe um cenário favorável que possibilita uma mudança na ‘postura’ da política monetária do BC.
— O ministro Fernando Haddad acredita que a trajetória que os números, tanto do governo quanto do mercado, indicam é promissora. A inflação deve convergir para a meta de 3%, embora isso não ocorra imediatamente. Vamos ter um ciclo que será compatível com o nosso potencial futuro. Essa trajetória é benéfica e abre espaço para a mudança na postura da política monetária — afirmou Mello.
Debate Sobre a Taxa de Juros
A discussão em torno da Selic, a taxa básica de juros, gira em torno do momento em que cortes podem ser iniciados:
— (A mudança na trajetória) Não será imediata, passando de uma postura restritiva para uma neutra ou expansiva. O que está em debate não é a trajetória, que muitos já concordam, mas sim o tempo exato para implementá-la.
Conforme Mello, a fixação da Selic em 15% ao ano foi uma escolha “ultra restritiva” do BC, resultando em uma retração no mercado de crédito.
— As políticas fiscal e monetária têm gerado efeitos reais, e a taxa de juros realmente afetou o mercado de crédito. Não se trata de um impacto pequeno, mas sim de uma retração que já se observa, e não apenas uma desaceleração — acrescentou o secretário, durante uma entrevista em novembro.
Na última reunião do Copom, a instituição sinalizou que um corte na taxa de juros pode ser discutido na próxima reunião, prevista para março.
O Papel de Mello e a Indicação de Haddad
O nome de Mello foi sugerido por Haddad ao presidente Lula para uma das vagas na diretoria do BC. Contudo, a decisão final é de responsabilidade do presidente, que ainda analisará o assunto. Vale lembrar que Lula já seguiu indicações de Haddad para o BC em ocasiões anteriores, como no caso de Gabriel Galípolo, atual presidente da autoridade monetária e ex-secretário-executivo da Fazenda.
Atualmente, Mello lidera a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, que é a área responsável pelas previsões oficiais de inflação, crescimento e resultados fiscais, fundamentais para embasar as decisões e propostas do governo. É dessa secretaria que saem os cenários e simulações que permitem calibrar medidas econômicas em resposta a choques externos.
Entretanto, os agentes do mercado estão abordando a potencial indicação de Mello com certa cautela, devido ao perfil considerado heterodoxo do secretário.
Em sua entrevista em novembro, Mello foi questionado sobre a necessidade de esperar que a projeção de inflação chegasse ao centro da meta (3%) para que os cortes de juros fossem iniciados. O secretário esclareceu que existe espaço para avaliação a ser feita pelo Copom.
— Este pode ser um fator que eles consideram, mas não há automatismo nesse assunto — observou.
Vagas em Aberto no Banco Central
Atualmente, duas cadeiras na diretoria do Banco Central estão sem titulares desde o final do ano passado. Uma delas é a Diretoria de Política Econômica, atualmente ocupada interinamente por Paulo Picchetti, que também é o diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos. Esta área é responsável por elaborar os cenários macroeconômicos que orientam as decisões sobre a taxa de juros e pela produção dos principais documentos técnicos do Comitê de Política Monetária.
