Pesquisa que fortalece a agricultura familiar no Espírito Santo
O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) está em fase de desenvolvimento de novas variedades de inhame (taro) adaptadas às condições específicas do Espírito Santo. Com o objetivo de elevar a produtividade, melhorar a qualidade nutricional e fortalecer a agricultura familiar, as pesquisas em andamento prometem reforçar o protagonismo do Estado na produção nacional dessa cultura.
Relevância econômica e social da produção de inhame
O Espírito Santo destaca-se como líder na produção de inhame no Brasil, respondendo por quase metade da produção nacional. Em 2024, o Estado registrou uma colheita de 120,5 mil toneladas em uma área de 3,3 mil hectares, com produtividade média de 36,9 toneladas por hectare. O Valor Bruto da Produção (VBP) atingiu R$ 276,8 milhões, evidenciando a importância econômica e social dessa cultura, especialmente para os agricultores familiares da região.
Projeto inovador apoiado pelo CNPq
Dentre os estudos em curso, destaca-se o projeto “Potencialização da cultura do taro no Espírito Santo: caracterização de germoplasma, diversidade genética e seleção de variedades”, aprovado pelo Edital Universal (Nº 44/2024) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Com investimento de R$ 147,7 mil, esta iniciativa é uma das sete selecionadas na área de Agronomia no Espírito Santo, ampliando a visibilidade nacional do trabalho do Incaper.
Segundo a pesquisadora Rosenilda de Souza, coordenadora do projeto, “O apoio do CNPq amplia a visibilidade nacional do trabalho realizado pelo Incaper e permite aprofundar os estudos com foco na seleção de genótipos mais produtivos, adaptados às condições locais e com melhor qualidade nutricional”.
Banco de Germoplasma e metodologia de pesquisa
A pesquisa utiliza como base o Banco de Germoplasma de Taro do Incaper, que mantém 40 acessos genéticos da cultura no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Serrano (CPDI Serrano), em Domingos Martins. Os materiais genéticos serão avaliados em áreas de alta e baixa altitude, localizadas em Domingos Martins e Viana, respectivamente, seguindo manejo agroecológico ao longo de três safras, considerando aspectos agronômicos, adaptativos, genéticos e físico-químicos.
Diversidade genética e avanços no melhoramento
Um dos diferenciais do projeto é a caracterização da diversidade genética em nível molecular. Daniela Camporez, pesquisadora do Incaper responsável pelos estudos moleculares, explica que o inhame é propagado vegetativamente por rizomas, o que favorece a ocorrência de variações genéticas naturais ao longo do tempo. Essa variabilidade é essencial para identificar materiais superiores e avançar nos programas de melhoramento genético.
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A caracterização morfoagronômica será complementada por análises moleculares, oferecendo um panorama mais detalhado da diversidade genética para auxiliar na seleção das variedades mais promissoras.
Ampliação da base genética com variedades crioulas
Paralelamente, Rosenilda de Souza coordena um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), com investimento de R$ 167,6 mil. Essa iniciativa visa resgatar e caracterizar variedades crioulas conservadas por agricultores familiares em diferentes regiões produtoras do Estado, ampliando significativamente a base genética estudada.
Desenvolvimento das novas variedades e atuação multidisciplinar
Os esforços conjuntos dos projetos têm como meta o desenvolvimento de novas variedades, processo que demanda tempo e rigor científico. Rosenilda destaca que serão necessários ao menos dois anos de avaliações em campo e análises laboratoriais, além de um ou dois anos adicionais para a confirmação dos resultados, em trabalho conduzido por uma equipe multidisciplinar.
O trabalho integrado de pesquisadores do CPDI Serrano, como Patrick Alves de Oliveira, da área de olericultura, Jhonatan Marins Goulart, da agroecologia, e do técnico Lucas Manske, da Fazenda Experimental de Viana, é fundamental para a condução dos experimentos e consolidação das estratégias de manejo e seleção das variedades.
Parcerias estratégicas para avanços científicos
O projeto conta com a colaboração de diversos laboratórios e pesquisadores parceiros, como o Laboratório de Biotecnologia Aplicada à Agricultura e o Laboratório de Fitotecnia da Universidade Federal do Espírito Santo, o Laboratório de Fitoquímica do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, e o Laboratório de Fitotecnia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro. Essas parcerias ampliam a capacidade técnica e científica do estudo.
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Cultivares tradicionais e a importância da Indicação Geográfica (IG)
Atualmente, as cultivares de inhame mais cultivadas no Espírito Santo são Chinês, São Simão, Macaquinho e São Bento. A cultivar São Bento é especialmente significativa por ser genuinamente capixaba, originária da localidade de São Bento de Urânia, no município de Alfredo Chaves, e por possuir Indicação Geográfica (IG), reconhecimento obtido com apoio do Incaper.
De acordo com Rosenilda, o desenvolvimento de novas variedades amplia as opções dos agricultores, reduz riscos produtivos e contribui para a sustentabilidade da cultura a médio e longo prazo.
Principais municípios produtores de inhame no Espírito Santo
Em 2024, Alfredo Chaves liderou a produção de inhame no Espírito Santo, com 31,7 mil toneladas. Outros municípios de destaque incluem Laranja da Terra (16,5 mil toneladas), Marechal Floriano (10,5 mil toneladas) e Santa Leopoldina (9,2 mil toneladas). Também merecem atenção Domingos Martins, Santa Maria de Jetibá e Muniz Freire, ressaltando a importância da cultura para a economia regional.
Origem e benefícios nutricionais do inhame
Originário do Sudeste Asiático, o inhame, conhecido tecnicamente como taro (Colocasia esculenta), é uma hortaliça tuberosa cultivada há milhares de anos em regiões tropicais da Ásia, África e Oceania. Adaptado ao clima do Sudeste brasileiro, especialmente no Espírito Santo, o inhame é um alimento energético e nutritivo, rico em carboidratos, fibras, potássio, magnésio e vitaminas do complexo B, além de possuir baixo teor de gordura.
Além do consumo in natura, o inhame também apresenta potencial para processamento agroindustrial, ampliando suas possibilidades de uso na alimentação humana.
