Espírito Santo no Comércio Exterior
O Espírito Santo iniciou 2026 reafirmando sua relevância no comércio exterior brasileiro. Em janeiro, o estado obteve o segundo maior volume de importações da sua história para o mês, desde 1997, consolidando-se como um dos principais hubs logísticos do Brasil e porta de entrada de produtos estrangeiros.
A corrente de comércio capixaba registrou US$ 1,64 bilhão (aproximadamente R$ 8,56 bilhões, considerando a cotação do dólar a R$ 5,21). Desse total, US$ 665 milhões, ou 40,5%, corresponderam às exportações, enquanto as importações somaram US$ 977 milhões, representando 59,5%. Esses dados são provenientes do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), em colaboração com o Sindiex, com base nas informações do Comex Stat, o sistema oficial para a coleta de estatísticas do comércio exterior brasileiro.
Este resultado histórico reflete uma infraestrutura portuária diversificada e uma eficiência operacional notável, aliadas a uma localização estratégica. “O Espírito Santo vem se consolidando como um elo fundamental nas cadeias globais de suprimentos, com capacidade de atrair operações logísticas complexas e de alto valor agregado”, explicou André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES.
Comparação Regional e Importância Econômica
Na análise regional, o Espírito Santo foi responsável por 5,5% das exportações do Sudeste e 2,6% do total exportado pelo Brasil em janeiro. Em termos de importações, o estado representou 9,2% do volume importado pelo Sudeste e 4,7% do total nacional. Esses números indicam que o Espírito Santo foi responsável por 7,2% de toda a corrente de comércio do Sudeste e por 3,6% do comércio brasileiro no mês. “Esses percentuais ressaltam uma relevância econômica que supera, de forma expressiva, o peso do estado no PIB nacional, evidenciando a força da atividade logística e do comércio exterior capixaba”, avaliou Spalenza.
Outro destaque do mês foi o crescimento dos termos de troca, que aumentaram 5,7% em janeiro, favorecendo o poder de compra do estado no exterior. Este indicador reflete a relação entre os preços das exportações e das importações. No mês, os preços das exportações recuaram ligeiramente (-0,7%), enquanto os preços das importações apresentaram uma queda mais acentuada (-6%).
“Na prática, isso significa que o Espírito Santo conseguiu importar mais gastando relativamente menos, o que melhora momentaneamente suas condições de troca no mercado internacional”, destacou o coordenador do Observatório do Comércio.
Produtos em Destaque nas Exportações e Importações
As exportações capixabas em janeiro foram predominantemente compostas por commodities minerais, agrícolas e produtos industriais relacionados à cadeia do aço. Os cinco principais grupos de produtos representaram 80,1% das vendas externas, totalizando US$ 533 milhões.
O principal item exportado foi o minério de ferro e seus concentrados, com US$ 192 milhões, equivalente a 28,9% da pauta. Em seguida, produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço atingiram US$ 110 milhões (16,6%). O café não torrado somou US$ 98,9 milhões (14,9%), enquanto a celulose totalizou US$ 71 milhões (10,7%). Além disso, cal, cimento e materiais de construção fabricada movimentaram US$ 59,9 milhões (9%).
No que diz respeito às importações, os cinco principais grupos concentraram 65,3% do total, somando US$ 638 milhões. A pauta continuou focada em bens industriais, especialmente veículos, máquinas, equipamentos e insumos energéticos. O principal produto importado foram veículos automóveis de passageiros, contabilizando US$ 262 milhões (26,8%), seguidos por veículos para transporte de mercadorias e usos especiais com US$ 150 milhões (15,4%). As aeronaves e outros equipamentos, incluindo partes, representaram US$ 139 milhões (14,3%). As instalações e equipamentos de engenharia civil cresceram 30,0%, alcançando US$ 45 milhões, enquanto o carvão somou US$ 40,8 milhões.
Parceiros Comerciais e Distribuição Municipal
Em relação aos parceiros comerciais, os Estados Unidos destacaram-se como o principal destino das exportações capixabas, absorvendo 17% do total, seguidos por Turquia, China, México e Egito, com participações entre 6% e 7%. Para as importações, a China foi responsável por 40% do total, seguida por Estados Unidos (14%), Argentina (11%), México (4%) e Alemanha (3%).
No recorte municipal, Serra, Vitória e Anchieta concentraram 62,5% das exportações, somando US$ 530 milhões. Nas importações, a concentração foi ainda mais acentuada: Cariacica, Vitória e Serra responderam por 89% do total, com destaque para Cariacica, que movimentou US$ 514 milhões (52,6%).
