Montadoras Correm para Nacionalizar Veículos Elétricos
No primeiro semestre de 2025, as montadoras de veículos eletrificados estão se mobilizando para importar um número maior de carros ao Brasil. O motivo é claro: um aumento no imposto de importação para veículos desse tipo está previsto, subindo para 35% em julho de 2026. Portanto, as empresas estão aproveitando a oportunidade para nacionalizar carros com uma taxa inferior antes que essa mudança tributária entre em vigor.
Esse movimento tem potencial para gerar volumes significativos nos principais portos brasileiros, com destaque para o Espírito Santo, Santa Catarina e Pernambuco. Sidemar Acosta, presidente do Sindiex, que representa empresas do comércio exterior, destaca que “o último aumento de alíquota gera um aumento de nacionalizações em um curto espaço de tempo. As empresas querem aproveitar a janela até 30 de junho. Depois disso, a tarifa máxima será aplicada”.
Diversas marcas, como BYD, GWM e Omoda Jaecoo, além de fabricantes já estabelecidos no Brasil, intensificaram seus pedidos para garantir um estoque robusto antes da alteração fiscal. “Estamos falando de mais de uma dezena de marcas organizando volumes relevantes para nacionalização até o fim de junho”, enfatiza Acosta.
Impacto da Aumento na Alíquota nas Importações
Em 2025, o Espírito Santo importou cerca de 165 mil veículos eletrificados, movimentando R$ 3,3 bilhões, de acordo com informações do Sindiex. As expectativas são otimistas para o primeiro semestre de 2026, onde um movimento ainda mais expressivo é aguardado.
Historicamente, nos períodos que antecederam o aumento da alíquota sobre veículos eletrificados nos anos anteriores, os portos do Estado enfrentaram sobrecarga devido ao volume elevado de operações. Contudo, Sidemar Acosta acredita que o Espírito Santo está mais preparado desta vez. “A aduana está estruturada para lidar com esses momentos de maior fluxo, e a maioria dos navios pode realizar a nacionalização antecipada, permitindo que os veículos saiam do porto já nacionalizados e sigam diretamente para armazéns gerais”, explica.
Pós-Aumento: O Futuro das Importações de Veículos
Apesar da iminente alíquota máxima para carros elétricos e híbridos, a expectativa é de que o fluxo de importações continue após julho. Segundo Sidemar Acosta, o calendário tributário pode provocar um aumento temporário, porém, a importação permanecerá uma parte crucial da estratégia das montadoras no mercado brasileiro.
“Os veículos eletrificados ainda representam uma fração pequena da frota total. A tendência é de crescimento, inclusive em áreas fora dos grandes centros urbanos. Mesmo com fábricas no Brasil, a produção local não conseguirá atender toda a demanda”, conclui Acosta.
Ampliação do Terminal de Vila Velha para Atender à Demanda
O Terminal de Vila Velha, gerido pela Log-In, é uma importante área de desembarque de veículos e já está se preparando para essa demanda crescente. O terminal decidiu investir na ampliação de 65 mil m², que aguarda autorização para começar a operação em fevereiro. Esse projeto aumentará em cerca de 90% a capacidade de armazenamento do terminal e elevará em torno de 40% a capacidade de armazenagem de contêineres no pátio.
“O TVV está preparado para lidar com eventuais aumentos de demanda, garantindo a continuidade e qualidade do serviço logístico, como já demonstrado no primeiro semestre de 2025, quando o terminal conseguiu absorver volumes semelhantes sem impacto nas operações do Estado”, afirma Marhmed Hashemj, gerente comercial e de novos negócios da Log-In.
