O que é o Implanon e Como Funciona
O Implanon, um implante subdérmico contraceptivo, já está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Espírito Santo, despertando interesse e questionamentos entre as mulheres. Atualmente, aproximadamente 700 mil mulheres na faixa etária de 14 a 49 anos podem acessar esse método em 12 municípios. Esses locais incluem Aracruz, Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Colatina, Guarapari, Linhares, Nova Venécia, São Mateus, Serra, Viana, Vila Velha e Vitória.
Conforme afirma Janaína Daumas Félix, chefe do Núcleo de Atenção Primária (Neapri) da Secretaria da Saúde (Sesa), a capacitação para inserir o Implanon foi realizada no final do ano passado em cidades com mais de 50 mil habitantes. Durante essa formação, médicos e enfermeiros foram treinados para aplicar o método, garantindo um atendimento qualificado.
Considerado um anticoncepcional de longa duração, o Implanon pode ser utilizado por até três anos. Esse implante faz parte dos LARCs (contraceptivos reversíveis de longa duração) e é uma solução prática para muitas mulheres.
Como o Implanon Funciona
O funcionamento do Implanon se dá de maneira eficaz através de três mecanismos: inibe a ovulação, engrossa o muco cervical — dificultando a passagem dos espermatozoides — e torna o útero menos propício à implantação de um embrião. Com uma eficácia superior a 99%, o Implanon oferece uma solução contraceptiva confiável e contínua. Segundo Janaína, seu custo se torna mais vantajoso quando comparado ao uso mensal de anticoncepcionais tradicionais, que exigem a lembrança diária de ingestão.
“Esse implante libera o hormônio etonogestrel de forma contínua, o que elimina a necessidade de tomar pílulas diariamente”, afirma a especialista.
Contraindicações e Efeitos Colaterais
Embora o Implanon tenha uma alta taxa de eficácia, existem algumas contraindicações que devem ser observadas. O método não é recomendado para mulheres que estejam grávidas, tenham histórico recente ou prévio de câncer de mama, apresentem sangramentos uterinos sem causa identificada ou sofram de doenças hepáticas graves.
Entre os efeitos colaterais que podem ocorrer estão: sangramentos irregulares, ausência de menstruação, cefaleia, acne e dor nas mamas. Contudo, Janaína ressalta que esses efeitos não são graves e podem ser gerenciados durante o acompanhamento médico, que se faz necessário após a inserção do implante.
Mitos sobre Fertilidade e o Implanon
Um dos questionamentos mais comuns é sobre a fertilidade após a retirada do Implanon. Segundo Janaína, a fertilidade retorna rapidamente. “A ovulação volta em poucas semanas após a remoção do implante, permitindo que a mulher possa planejar sua gravidez de forma eficaz”, explica.
Ela também desmistifica algumas crenças populares sobre o método. “Há quem pense que o Implanon é um chip que se movimenta pelo corpo, que causa infertilidade permanente ou que provoca ganho de peso. Essas informações são falsas. Além disso, o Implanon não protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)”, esclarece.
Alterações no Ciclo Menstrual
Após a inserção do Implanon, algumas mudanças no ciclo menstrual podem ocorrer, incluindo a ausência da menstruação ou episódios de sangramentos de escape. Janaína enfatiza a importância de um acompanhamento pós-inserção: “Se a mulher notar qualquer alteração, é fundamental que retorne ao ambulatório para esclarecimentos e orientações. O objetivo é garantir que ela tenha um acompanhamento adequado.”
Acesso e Capacitação
A escolha dos 12 municípios para a implementação inicial do Implanon foi baseada em critérios do órgão federal, priorizando aqueles com mais de 50 mil habitantes. De acordo com Janaína, o Ministério da Saúde está comprometido em expandir essa oferta para os outros 66 municípios do estado, com uma nova capacitação programada para os dias 31 de março e 1º de abril.
“Esse método de longa duração proporciona conforto e alta eficácia, garantindo às mulheres de 14 a 49 anos mais uma opção de controle sobre sua saúde reprodutiva”, conclui Janaína. Em um período marcado por desafios, a implementação de políticas voltadas para a saúde da mulher se torna ainda mais significativa, especialmente próximo ao Dia Internacional da Mulher.