Espírito Santo como Polo de Pesquisa
O Hospital Estadual de Urgência e Emergência (Heue), localizado em Vitória, se tornou um potencial epicentro para a nova fase de estudos da polilaminina — uma substância experimental direcionada ao tratamento de pacientes com paraplegia ou tetraplegia. O governo do Espírito Santo manifestou seu interesse em oferecer a infraestrutura necessária para apoiar pesquisas voltadas ao desenvolvimento de tratamentos eficazes para aqueles que sofreram lesão medular.
O secretário estadual da Saúde, Tyago Hoffmann, expressou otimismo quanto à polilaminina, que já mostra resultados encorajadores. “Estamos bastante animados com a possibilidade do Espírito Santo se transformar em um dos principais centros para a fase dois dos estudos”, afirmou Hoffmann, ressaltando a colaboração em andamento com Tatiana Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e responsável pela pesquisa.
Fase Inicial dos Estudos Clínicos
Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a primeira fase de pesquisa clínica da polilaminina, que atualmente ocorre em um único hospital em São Paulo, envolvendo um pequeno grupo de voluntários. Para participar, os pacientes devem ter lesão medular completa, com perda total de sensibilidade e movimento, com idades variando entre 18 e 72 anos. Essa fase está focada em pessoas que sofreram o trauma dentro de um período máximo de 72 horas, o que caracteriza a lesão como aguda.
Este ciclo de observação, com duração prevista de seis meses, tem como objetivo principal avaliar a segurança da administração da substância, que é aplicada diretamente na medula espinhal do paciente. Dependendo dos resultados obtidos na primeira fase, o tratamento pode seguir para as etapas de fase dois e três, que visam confirmar a eficácia da polilaminina.
Contribuições do Espírito Santo na Pesquisa
Na fase dois, conforme explica Hoffmann, o número de participantes e de hospitais envolvidos aumentará, e é nesse ponto que o Espírito Santo poderá desempenhar um papel crucial nos estudos. “Colocamos o Estado à disposição para contribuir com a pesquisa, não apenas com o hospital, mas também com a estrutura da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) e nossos investigadores. Existe a possibilidade de apoio financeiro, caso seja necessário”, declarou o secretário.
O Heue, anteriormente conhecido como Hospital São Lucas, é considerado a opção mais viável, já que é referência no atendimento a traumas, incluindo lesões medulares. Hoffmann ressaltou a disposição do Estado em ajudar na elaboração do protocolo de aplicação da medicação.
Experiências Anteriores e Rede de Apoio
Antes mesmo da autorização da Anvisa para os estudos clínicos, pacientes no Espírito Santo e em outras regiões já estavam recebendo a aplicação da polilaminina de maneira experimental, com autorização judicial, e alguns relataram melhorias nos movimentos de determinadas partes do corpo.
Além disso, o secretário destacou que a secretaria está se organizando para oferecer uma rede de suporte aos pacientes que receberem o tratamento, enfatizando que, apesar dos resultados promissores, a polilaminina deve ser parte de um tratamento abrangente, que inclua fisioterapia e reabilitação.
Hoffmann foi enfático ao afirmar que a substância ainda está em fase de pesquisa e não se deve encarar como um “produto milagroso”. “É fundamental passar pelo processo de reabilitação após a aplicação”, esclareceu. Para garantir um suporte adequado, ele planeja se reunir com os secretários municipais de saúde para discutir ações que atendam a essa população. Embora o Crefes atue como referência, a unidade de reabilitação está localizada em Vila Velha, o que dificultaria um acompanhamento contínuo dos pacientes.
Próximos Passos e Reconhecimento
Para avançar na próxima fase das pesquisas, Hoffmann mencionou que o governo discutirá o assunto durante a visita de Tatiana Sampaio e sua equipe ao Estado, agendada para quinta-feira (26). Durante a visita, ela será homenageada e receberá a comenda Jerônymo Monteiro, em reconhecimento ao seu trabalho na área.
