Diálogo com Movimentos Sociais em Vitória
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (Psol), anunciou que, na próxima quarta-feira (4), discutirá com o titular do Ministério da Pesca e Aquicultura (MAP), André de Paula (PSD), a questão do corte de pagamentos a pessoas afetadas pelo crime socioambiental da Samarco/Vale-BHP. A declaração foi feita durante uma agenda em Vitória, na última sexta-feira (27), onde Boulos também dialogou com representantes de movimentos sociais.
Boulos, que atualmente ocupa o cargo de deputado federal licenciado, esteve em Vitória como parte da iniciativa do Governo do Brasil na Rua, que visa facilitar o acesso da população a serviços públicos essenciais. O evento ocorreu na Praça Antônio Ormindo Trancoso, localizada na Orla da Ilha das Caieiras, das 9h às 18h, oferecendo serviços gratuitos nas áreas de assistência social, previdência, saúde, habitação, trabalho e cidadania.
Com um histórico de ativismo no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o ministro aproveitou a oportunidade para ouvir as demandas de representantes das ocupações Vila Esperança, em Vila Velha, e Chico Prego, em Vitória. Durante a solenidade de abertura, Heider Boza, coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragens no Espírito Santo (MAB-ES), expressou que centenas de pescadores do estado podem completar o terceiro mês sem receber os pagamentos do Programa de Transferência de Renda (PTR), resultantes do Acordo do Rio Doce, que ajuda mais de 20 mil pessoas afetadas no Espírito Santo.
“Desde janeiro, o Ministério da Pesca cortou centenas de auxílios sem qualquer diálogo ou comunicação prévia”, criticou Boza, ressaltando que o terceiro mês sem o auxílio está se aproximando e que a situação é urgente: “A barriga vazia não espera, ela tem pressa.”
Boulos também ficou ciente das circunstâncias que cercam as ocupações durante o Fórum de Participação Social, uma das atrações do evento do Governo do Brasil na Rua. “Ele se surpreendeu com as informações que compartilhei, mas se comprometeu a se reunir com a gente”, destacou Adriana de Jesus Paranhos, conhecida como Baiana, que representa a Vila Esperança.
Após terem sido despejados em setembro do ano passado de uma área na região de Jabaeté, em Vila Velha, os ocupantes da Vila Esperança transferiram-se para dois prédios em Ponta da Fruta. No entanto, estão sob a ameaça de reintegração de posse a qualquer momento. A situação da ocupação Chico Prego é semelhante, com 60 moradores vivendo no antigo prédio da Escola São Vicente de Paulo, igualmente sob risco de despejo. “Como o prefeito de nossa cidade [Lorenzo Pazolini, do Republicanos] não atende os movimentos sociais, encontramos uma chance de solução definitiva para nossa ocupação através do programa Minha Casa Minha Vida Entidades,” relatou Rafaela Regina Caldeira, coordenadora da ocupação.
A vereadora Karla Coser (PT) e a deputada estadual Camila Valadão (Psol) também enfatizaram a necessidade de soluções habitacionais para as ocupações de Vila Esperança e Chico Prego.
Governo na Rua: Uma Oportunidade de Assistência
Defendendo a importância da iniciativa do Governo Federal na Rua, Guilherme Boulos afirmou: “O que fazemos é ouvir, dialogar e ver os problemas de perto. Muitos governantes escolhem o caminho mais fácil, que é passar de helicóptero e não ouvir as demandas do povo. Isso não é nosso objetivo.”
Os serviços disponíveis na Ilha das Caieiras incluíram Cadastro Único (CadÚnico), serviços do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), como perícia médica e Benefício de Prestação Continuada (BPC), vacinação e atendimentos de telessaúde, entre outros. Além disso, foram oferecidas microchipagens e vacinações de animais, com articulação com o município, orientações sobre o SUS Digital e suporte para a abertura de contas.
Embora muitos participantes no evento fossem militantes de movimentos sociais e representantes de partidos políticos, outros compareceram apenas para acessar os serviços disponíveis. Tatiane Gomes dos Santos e seu pai, Pedro Gomes dos Santos, moradores de São Pedro, aproveitaram a oportunidade para resolver questões relacionadas a benefícios no INSS. “A feira está bem legal. A presença dos políticos, não tanto, pois eles só aparecem em épocas como essa,” comentou Tatiane.
Um Dia Cheio de Compromissos
Guilherme Boulos teve uma agenda repleta em Vitória na sexta-feira. Além do evento na Ilha das Caieiras, ele se encontrou pela manhã com o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio, Conservação, Limpeza Pública e Serviços Similares (Sindilimpe), enfatizando a luta pelo fim da jornada de trabalho 6×1, uma demanda priorizada pelos movimentos sociais na gestão do presidente Lula durante o período eleitoral.
Às 16h, ele se dirigiu ao Centro Sindical dos Bancários para discutir “Soberania Popular e Desafios da Conjuntura”. Um evento ao ar livre sobre a escala 6×1 previsto para ocorrer na rua Sete de Setembro foi cancelado devido às chuvas. Boulos ainda participou de um almoço com parlamentares na Ilha das Caieiras e aproveitou a visita a Vitória para abordar questões político-eleitorais. Durante uma coletiva de imprensa, ele comentou sobre o crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto, ironizando: “Flávio Bolsonaro desmaiou no debate no Rio de Janeiro [para prefeito, em 2016]. Imaginem como ele vai se sair no debate com Lula.”
Boulos finalizou afirmando que “quem defende o fim da escala 6×1? O Lula. Nós. E quem se opõe? O bolsonarismo. O povo vai lembrar disso na hora da eleição, em outubro.”
